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Brasília - A servidora da Fundação
Nacional de Saúde (Funasa) no Amazonas e membro da Comissão
dos Servidores Públicos Federais no estado, Edileuda Freire, alertou que os índios que
ocuparam por 16 dias o prédio do órgão em Manaus
ameaçam invadir novamente o local. De acordo com Edileuda,
a situação coloca os funcionários sob forte
pressão, alterando a rotina de trabalho.
Os servidores se
reuniram ontem (18) para discutir a situação.
"Estamos sem condições de trabalhar diante
dessa forte pressão de possíveis ocupações
do prédio pelos indígenas. Vamos fazer um documento
após essa reunião e enviar às autoridades
competentes para resolvermos esse mal-estar. A gente não se
opõe às manifestações indígenas. O
que não concordamos é com a maneira violenta e
agressiva como estão sendo praticadas. Se for o caso, nós
também estamos dispostos a paralisar as atividades em todo
estado", afirmou a servidora.
O indígena Enos
Munduruku, uma das lideranças responsáveis pela
ocupação, confirmou a possibilidade de nova invasão,
caso o acordo feito entre eles e a direção da Funasa em
Brasília não seja cumprido.
"A gente entende
que a responsabilidade dessa questão não é dos
funcionários, mas sim da direção da Funasa.
Estamos tentando dialogar para que isso [a invasão] não
aconteça", disse o indígena. O atual
coordenador da Funasa no estado, Narciso Barbosa, admitiu que a
situação é delicada, mas que todos os aspectos
serão considerados para a resolução do problema.
"Eu assumi essa
coordenação diante de uma situação
extremamento delicada e praticamente no fim do ano. Ainda assim,
estou tomando pé de tudo a fim de resolver os problemas. Não
posso agir de forma precipitada e incoerente. Além disso,
temos que definir as linhas de atuação para 2008, para
que possamos realmente ter ações concretas e objetivas
e resolver problemas sérios, como também o da situação
do Vale do Javari, onde o grande número de casos de hepatite e
malária prejudicam a saúde indígena",
afirmou.
A reunião em Manaus também contou com a
participação do diretor do Departamento de Saúde
Indígena da Funasa, Wanderley Guenka, e da direção
do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do estado
(Sindsep/AM).
Segundo a assessoria de
comunicação da Funasa, representantes do Ministério
Público e da Polícia Federal também foram
convidados, mas não compareceram.
Na tarde de ontem (18),
cerca de 70 indígenas se reuniram com Narciso Barbosa e o
secretário de Saúde do Amazonas, Wilson Alecrim, para
reivindicar, novamente, a exoneração da atual chefe do
Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus (Dsei),
Maurasina Sabóia, e a nomeação de um indígena
para a função.
Após quatro
horas de conversa, ficou acertado que será encaminhado à
direção da Funasa a proposta para substituição
do cargo e a indicação do indígena Isael
Munduruku.
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