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Brasília - Falta ao Poder Judiciário uma reforma que contemple aspectos mais detalhados a respeito do combate ao trabalho escravo. A avaliação é do juiz federal do
Trabalho, Jônatas dos Santos Andrade.
Para ele, transferir a competência com relação a ações criminais relacionadas ao trabalho para a Justiça do Trabalho daria mais agilidade aos processos.
“A Justiça e a própria sociedade ganhariam porque a
Justiça do Trabalho, em face dos demais ramos do Poder Judiciário, se encontra em melhores condições
para dar essa resposta, ou seja, ela que julga com mais serenidade,
isso traria um ganho para outros ramos da justiça que,
assoberbados, não tem conseguido dar uma resposta mais rápida
para a sociedade”, disse Andrade.
O juiz explicou que não há
condenações criminais por trabalho escravo, mas a
justiça brasileira já vem impondo pesadas indenizações
por dano moral aos empregadores que incidem
nessas práticas. Para ele, mesmo com essas medidas, ainda não
há notícias de condenação criminal que, atualmente, ainda é competência da justiça comum.
Leonardo
Sakamoto, cientista político e membro da Comissão
Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo
(Conatrae), defende a aprovação da PEC 438/2001, que
prevê o confisco das terras onde for encontrado trabalho
escravo.
"As
terras nas mãos deles [empregadores de trabalho escravo] são
que nem armas. As terras no Brasil têm que ter função
social, conforme previsto na Constituição. A lei só
não foi aprovada ainda por causa de pressão da bancada
ruralista”, avaliou Sakamoto.
Para ele, a aprovação
da PEC seria um segundo ato de abolição
da escravatura no Brasil. “O primeiro foi em 1888 e o segundo
deixaria claro que quem tem terra no Brasil deve tratar bem os
empregados.”
Quanto à ausência de condenações na justiça, para empresas ou pessoas físicas que tenham sido flagradas submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão, Sakamoto acredita que, "todo o
sistema, com mais dinheiro, recursos humanos e materiais teria
resultados melhores".
"Ainda não houve fazendeiros condenados,
presos e cumprindo pena em cadeia por trabalho escravo. Precisa de
mais procuradorias, mais Justiça do Trabalho, mais recursos
para reforma agrária e geração de emprego e
renda", concluiu.
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