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Brasília - Uma
decisão extremamente política, em defesa do Executivo, e um atropelo à Constituição. Assim o
membro da Comissão Pastoral da Terra Alexandre Gonçalves
analisou o resultado da votação do Supremo Tribunal
Federal (STF) que rejeitou o recurso do Ministério Público
Federal para barrar a obra de transposição do Rio São Francisco. “Existem
claros problemas legais e, mesmo assim, não suspenderam o
projeto e deixaram livre para que ele seja feito”, afirmou.
Depois da votação, algumas personalidades que assistiram à votação no plenário do STF se juntaram aos manifestantes que estavam na Praça dos Três Poderes. Entre eles,
os atores Osmar Prado e Letícia Sabatella e o deputado Chico
Alencar (P-Sol-RJ).
Letícia Sabatella, que saiu do tribunal chorando, disse que o relator do processo, o ministro Carlos Alberto Direito, desmereceu a legitimidade dos movimentos sociais e chamou de
ortodoxos os ambientalistas.
“A insensibilidade dos ministros foi tocante, até na
fraqueza da argumentação. O relator já começou
desmerecendo a legitimidade dos movimentos sociais de moverem ações
e chamou de ortodoxos os ambientalistas, enquanto eles é que foram
extremamente ortodoxos nessa decisão. Foi um espetáculo
triste e trágico o que assistimos hoje aqui.”
A falta de reconhecimento da legitimidade dos movimentos sociais
também foi destacada por Osmar Prado. O ator classificou a
votação como uma decisão “fria”,
absolutamente de acordo, segundo ele, com a posição
conservadora do STF.
“Eles não consideram legítimas
as entidades dos movimentos sociais que provocaram essa reunião
de ministros do Supremo. Então,
significa que o povo brasileiro não conta”.
O deputado Chico Alencar (P-Sol-RJ) disse que a decisão foi
“imprudente” e uma “temeridade”.
“Infelizmente, a maioria
tomou essa decisão que pode ser culposamente letal para o Rio
São Francisco, para os seus povos ribeirinhos, indígenas,
quilombolas, pescadores, agricultores e para frei Luiz”, afirmou, referindo-se a dom Luiz Flávio Cappio, bispo da cidade de Barra (BA) que está em greve de fome há 23 dias pelo fim das obras de transposição.
O representante da Pastoral da Terra disse que os manifestantes que estiveram reunidos na Praça dos Três
Poderes desde segunda-feira (17), representados principalmente por
populações ribeirinhas e quilombolas dos estados da
Bahia e de Minas Gerais, voltam ainda hoje (19) para suas regiões.
A mobilização, segundo Gonçalves, continuará
em todas as capitais brasileiras e na bacia do São Francisco.
“Vamos continuar lutando e debatendo com a sociedade, mostrando
porque somos contra esse projeto, que não vai resolver o
problema do acesso à água na Região Nordeste, e que
existem outras possibilidades mais baratas, mais viáveis, e
que não estão sendo consideradas pelo governo.”
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