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Brasília - Na opinião de
ambientalistas e representantes do setor agropecuário, o
Brasil já está atrasado na definição de
uma política de zoneamento que determine regras para controlar
a expansão produtiva e orientar investimentos. As normas estão
sendo elaboradas pelo governo federal e a expectativa é de que
sejam concluídas e anunciadas ao longo do ano que vem.
O ex-ministro da
agricultura Roberto Rodrigues, que hoje preside o Conselho de
Agronegócio da Federação da Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp), evita a palavra atraso, mas admite
que o ideal seria o zoneamento já estar pronto para apontar
áreas e balizar investimentos. A razão para a falta de
antecedência seria uma só: “Faltou dinheiro. É uma coisa cara,
não é singela. Faltaram recursos financeiros, decisão
para fazer acontecer”, afirmou Rodrigues, em entrevista à Agência
Brasil.
Para Rodrigo Justus,
assessor técnico da Comissão de Meio Ambiente da
Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil (CNA), a falta de zoneamento tem consequências graves em
um país com as características do Brasil. “Temos o
maior estoque de terras férteis do mundo e também o
maior estoque da biodiversidade. Conciliar isso não é
uma tarefa fácil”, disse Justus, em entrevista coletiva da
CNA sobre o balanço da produção agropecuária
em 2007 e as perspectivas para 2008.
Segundo Justus, a
legislação brasileira tem aspectos únicos em
relação ao mundo, como a proibição das
culturas de café e uva em áreas com inclinação
acima de 25 graus. “Os produtores brasileiros perdem terreno para os
de outros países. São tiros no pé dados
internamente, que precisam ser resolvidos.”
O Greenpeace considera
o zoneamento fundamental para disciplinar a ocupação
da Amazônia, mas avalia que ele não será feito
com a presteza exigida pela situação. “O governo
federal não elegeu o zoneamento como peça importante de
sua atuação na região. Hoje já há um avanço
na retomada do desmatamento na Amazônia”, afirmou à
Agência Brasil o coordenador de políticas públicas
da organização não-governamental, Sérgio
Leitão.
Para ele, o zoneamento deve ser
impositivo e argumenta que políticas
meramente indicativas de conduta não funcionam para “domar”
atividades econômicas com forte apelo de lucratividade. “O
que falta na Amazônia é comando e controle. Falta
Estado, políticas públicas e polícia, para que
a região não seja vista como terra de ninguém,
onde tudo é possível. 80% das terras da Amazônia
são públicas, mas griladas”.
Um zoneamento
específico da produção de cana-de-açúcar
em todo o Brasil está sendo planejado pela Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com outras
instituições, como a Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab), Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), Universidade de Campinas (Unicamp),
secretarias estaduais de agricultura e meio ambiente, dentre outras.
A previsão de conclusão é para outubro de 2008.
“Os trabalhos serão publicados por estados, abrangendo todos
os municípios. Esperamos que até o meio do ano que vem
tenhamos grande parte dos estados com zoneamentos elaborados”,
informou Celso Manzatto, pesquisador chefe-geral da Embrapa
Solos, em entrevista à Agência Brasil.
O pesquisador do
Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Nilo
Dávila, lamenta que o zoneamento não tenha sido feito
“antes de todo o apoio político à produção
da cana, com o presidente Lula fazendo papel de mercador do etanol
brasileiro”.
A CNA sustenta que o
Brasil tem áreas degradadas e subutilizadas suficientes para
serem reincorporadas ao processo de produção e
aumentarem em até 5 vezes a produção do etanol,
sem derrubar uma árvore da floresta ou até mesmo fazer
expansões sobre o cerrado nativo.
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