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Brasília - A previsão de
expansão de 9% na produção de cana-de-açúcar
em 2008 e a constatação de que, em dez anos, o número
de bois na Amazônia Legal quase dobrou, conforme demonstrado em
recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), trazem à tona discussões
sobre os riscos de agravamento do desmatamento na Amazônia nos
próximos anos.
Dados do Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica
Brasileira por Satélite (Prodes) indicam que o desmatamento na região
da floresta tropical, entre agosto de 2006 e julho de 2007, caiu 20%
em relação ao período 2005 e 2006. Entretanto,
aumentos de 600% no desmatamento em Rondônia e de 130% no Mato Grosso nos últimos seis meses já preocupam os
ambientalistas.
“Com o processo de
transferência de atividades produtivas para a região e
o maior preço de produtos agrícolas, já se
consegue identificar a retomada do desmatamento em um patamar muito
preocupante. O governo fiscaliza, mas precisa dar um passo adiante
na cobrança das multas”, afirmou em entrevista à
Agência Brasil o coordenador de políticas públicas
do Greenpeace no Brasil, Sérgio Leitão.
Segundo Leitão,
o índice de execução das multas relativas ao
desmatamento na região amazônica é de 2% e o
ministério do Meio Ambiente (MMA) não consegue agir com relação aos proprietários de terras que agem de forma ilegal. “É como se fosse um recado dizendo que quem comete danos
ambientais pode continuar assim, porque o Estado não tem
estrutura para punir efetivamente o bolso do destruidor.”
Na última sexta-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que prevê a edição,
por parte do Ministério do Meio Ambiente, de listas anuais de municípios
prioritários para ações preventivas de controle dos desmatamentos. Inicialmente, entre 32 e 35 municípios responsáveis por 45% dos desmatamentos
na Amazônia devem integrar a lista.
Ainda este mês, o presidente criou o Grupo Permanente de Responsabilização
Ambiental, com participação de ministérios,
da Polícia Federal e de entidades de fiscalização. O
objetivo é elaborar as estratégias de combate integrado
ao desmatamento por parte dos órgãos federais, em
articulação com os estados. E um dos principais
desafios será, segundo a assessoria do MMA,
aumentar o índice de penalização efetiva
decorrente das infrações ambientais.
Resultados preliminares do Censo Agropecuário
2006, do IBGE, confirmaram a expansão das fronteiras agrícolas, com um aumento da área de lavouras no país de 83,5% em relação a 1996 e queda na área de
pastagens de cerca de 3%. Na Região Norte houve o maior aumento relativo na área
de lavoura: 275,5%.
Para o gerente do levantamento sistemático de produção agrícola do IBGE, Neuton Alves Rocha, o
avanço da produção de cana-de-açúcar
no Brasil ainda está restrito às áreas
degradadas ou de pastagens antigas. Em 2008, o volume produzido deve
crescer com destaque em Goiás (35%) e no Mato Grosso do Sul
(33%).
Na avaliação
do Greeenpeace a expansão dos biocombustíveis reforça
as pressões sobre a Floresta Amazônica. Isso porque
atividades típicas do centro sul, como a pecuária,
estariam saindo dessas áreas com a chegada da cana e migrando para
a Amazônia. “Ao mesmo tempo em que os biocombustíveis
são importantes para limpar a matriz energética e
diminuir a poluição nas cidades, isso tem de se
combinar com o plantio em áreas já degradas no sul do
país, sem pressionar a Amazônia”, disse Leitão.
A
Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil (CNA), por sua vez, não entende
a produção de cana-de-açúcar ou soja na
região norte do país como algo impeditivo, desde que o governo determine regras claras para a expansão agrícola.
“Se já existem áreas degradadas na região
Amazônica, por que não utilizá-las também
como nas áreas de cerrado? Podemos ser hoje o grande celeiro
para abastecer o mundo, mas precisamos saber se aquele local é
apto ou não. Se o governo disser que não, que se busque
incentivos para outros tipos de produção”, argumentou
o assessor técnico da comissão de meio ambiente da CNA,
João Carlos de Petrebul.
A
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) trabalha
na formatação de um zoneamento agroecológico
para cultura da produção de biocombustíveis,
que deve ser concluído em outubro de 2008. Até lá,
a CNA avalia que, por questões de licenciamento ambiental,
investimentos na área ficarão parados.
O
Greenpeace propõe o desmatamento zero na Amazônia, com incentivos econômicos para produtores que
ajudem a manter a floresta em pé.
“É preciso
combinar o fim do desmatamento com condições mínimas
de sobrevivência para os 20 milhões de amazônicos,
preservando riquezas e, ao mesmo tempo, a floresta e prestando
relevantes serviços para o Brasil e para o mundo”, avaliou Sérgio Leitão.
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