|
Brasília - Projeto de lei aprovado na semana passada inclui como dependente, para fins previdenciários, parceiro homossexual
de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e servidores públicos civis da União. Aprovado quarta-feira (19) pela Comissão
de Trabalho, de Administração e de Serviço
Público da Câmara dos Deputados, o Projeto 6297, de 2005, pode virar lei no próximo ano.
A proposta prevê
alteração da Lei de Benefício da Previdência
Social (Lei 8.213/91) e do Regime Jurídico Único dos
Servidores Civis (Lei 8.112/90). O deputado Maurício Rands
(PT-PE ), autor do projeto, disse que o objetivo é trazer
segurança jurídica a uma relação que já
vem sendo reconhecida pela Justiça.
“Há decisões
que reconhecem esse direito e outras que negam. Então, nós
queremos que isso seja inserido de uma vez por todas na lei para,
inclusive, evitar que essas matérias sejam objeto de discussão
no Judiciário.”
O deputado conta que
algumas cidades brasileiras, como Recife (PE), já
têm leis municipais garantindo o direito dos servidores
homossexuais inscreverem seu companheiro ou companheira como
dependente, desde que a união seja considerada estável.
A idéia, segundo Rands, é trazer esse direito também
para as leis federais.
“Acho que essa
proposta que nós aprovamos na Comissão de Trabalho é
um marco. É uma das primeiras proposições nessa
pauta de combate à discriminação aos
homossexuais, que logra aprovação na Câmara dos
Deputados, na Comissão do Trabalho.”
O projeto de lei
passará agora pela Comissão de Seguridade Social e
Família e a de Constituição e Justiça.
Maurício Rands disse acreditar que a proposta seja aprovada em
caráter conclusivo, ou seja, sem precisar ir a votação
no plenário. “Vou articular para que aprovemos logo no
início do ano esse projeto na Comissão de Constituição
e Justiça, da qual sou membro efetivo”, garantiu. Aprovado
na Câmara, o projeto passa para o Senado,
onde, segundo o deputado, a tramitação é mais
rápida, por serem menos parlamentares.
Quanto à decisão
do Congresso do Uruguai, terça-feira (18), que legalizou a
união civil entre casais homossexuais, o deputado pernambucano
disse que apóia a decisão e que o Brasil deveria seguir
o mesmo caminho.
“Eu defendo que a
Câmara também siga o exemplo do Uruguai e de todos os
países democráticos e permita o reconhecimento da união
civil. Porque, muitas vezes, um casal de homossexuais constrói
um patrimônio não só afetivo, mas também
material. Se os princípios da Constituição
reconhecem os efeitos jurídicos para a relação
de companheiros quando são heterossexuais, então por
que não reconhecer os efeitos jurídicos da relação
entre homossexuais?”
Maurício Rands
disse também que a aprovação do projeto pode contribuir para modificar a cultura homofóbica da
população, de discriminação aos
homossexuais.
|