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Manaus - Milhares de indígenas, de povos e regiões distintas do Amazonas, estão
reivindicando o direito registrar seus filhos de forma organizada,
respeitosa e ainda com os sobrenomes que caracterizam suas etnias. A
constatação foi feita durante a reunião de encerramento da primeira fase do Projeto
Registro Civil dos Povos Indígenas do Amazonas, realizada na semana passada em Manaus.
Pelo projeto, que teve início em setembro deste ano, 17
líderes indígenas estiveram em 44 comunidades situadas nas regiões
do Alto Rio Negro, Alto e Médio Solimões, Vale do Javari, Purus, Juruá
e Manaus para aplicar os questionários de avaliação sobre a atual
situação dos registros civis entre os indígenas e coletar dados que
possam contribuir na elaboração de um relatório.
O documento, que deve ser apresentado em
março de 2008, incluirá o resultado geral das avaliações e as
sugestões dos povos indígenas para esse tema. No total, foram mais de 1,4 mil
questionários aplicados em 325 comunidades, o equivalente a 43 etnias
visitadas.
Segundo o consultor do projeto e professor da Universidade Federal
do Amazonas (Ufam), Raimundo Nonato da Silva, existem
diversos fatores que dificultam a obtenção do registro civil pelos
indígenas. Ele destacou a distância entre as comunidades e os
cartórios, a discriminação dos índios por causa de sua origem e o despreparo dos
cartórios.
"Em praticamente todos os questionários, os índios reclamam de
discriminação na hora em que vão solicitar o registro de nascimento de
seus filhos. Percebemos que isso tem a ver com o despreparo de muitos
profissionais que atuam nessa área e também com a barreira lingüística
criada por causa dos idiomas falados pelos índios", disse o professor.
Raimundo Nonato afirmou que muitos indígenas têm
vontade de colocar o nome étnico na certidão de seus filhos, mas lembrou que existem cartórios que não estão preparados e
acabam não aceitando o sobrenome indígena, e impondo ou sugerindo outros
nomes. "O nome indígena tem um significado e um valor, mas infelizmente
algumas pessoas que trabalham nos cartórios não têm esse entendimento e
a dimensão do que isso representa."
Segundo a assessoria de comunicação do Projeto Rondon, o
relatório previsto para março do ano que vem será apresentado
ao poder público, de forma geral, com o objetivo de melhorar as condições para
realização dos registros civis dos povos indígenas do Amazonas e, em
breve, dos indígenas de Mato Grosso do Sul. O relatório deve sugerir a elaboração
de um glossário de nomes indígenas, que seria
feito por líderes escolhidos pelas organizações indígenas existentes na região e a
capacitação dos profissionais que trabalham em cartórios.
O Projeto Piloto Registro Civil dos Povos Indígenas do Amazonas tem duração prevista de 11 meses. O objetivo é diagnosticar as práticas de
registro civil desses povos no estado e sensibilizar a população
em geral para o assunto, já que, historicamente, segundo a Secretaria
Especial de Direitos Humanos, quem trabalha fazendo as certidões
de nascimento alega não poder registrar os nomes indígenas por falta de
conhecimento de sua grafia.
O projeto é realizado pela Secretaria
Especial de Direitos Humanos, em
parceria com o Projeto Rondon, a Secretaria de Estado de Assistência
Social do Amazonas e a Universidade Federal
do Amazonas.
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