As autoridades nos estados precisam agir duramente na repressão e punição de turistas estrangeiros que molestem mulheres e crianças brasileiras. Além disso, é preciso que haja divulgação dessas punições para inibir a procura do turismo sexual no país. Essa é a avaliação do chefe de gabinete do Ministério do Turismo, Mário Augusto Lopes Moysés.

“Para o desenvolvimento da imagem turística brasileira no exterior é importante que nossas autoridades tenham uma postura ofensiva e clara para mostrar que turistas que vem ao Brasil para o chamado turismo sexual não são bem vindos. Nós, através da Embratur [Instituto Brasileiro de Turismo] no exterior e através de campanhas internas, queremos evitar que isso aconteça e para isso precisa haver um trabalho integrado do governo.”

Moysés lembrou da condenação, ontem (20), de dois turistas italianos a nove anos e seis meses de prisão por molestarem, em 2006, uma vendedora grávida em um shopping do Rio de Janeiro. Ele disse que o episódio serve para alertar estrangeiros que visitam o Brasil  em busca de turismo sexual e praticam crimes molestando crianças e adolescentes.

Para Moysés, o governo tem feito um trabalho de divulgação do Brasil com destaque para as riquezas culturais e naturais, bem como para a hospitalidade do povo. Além disso, o ministério faz campanhas de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.

“O turismo é uma indústria muito importante para o Brasil porque gera empregos, renda e inclusão social. No caso do nordeste, é uma indústria que pode auxiliar muito no desenvolvimento e na superação de desigualdades regionais.”

Para o promotor de Justiça da Infância e Juventude de Natal (RN), Manoel Onofre Neto, o turismo sexual é uma realidade no Brasil, especialmente no nordeste onde o número de denúncias aumenta com a chegada do verão. Ele falou da necessidade de punição dos crimes de turismo sexual no país.

“Há uma vontade do Comitê Nacional [de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes], responsável pela administração e implementação do Plano de Enfrentamento a Violência e Exploração Sexual para que o sistema de justiça funcione cada vez mais de forma estruturada e sobretudo para que a legislação brasileira traga modificações que permitam uma atuação mais ágil e mais facilitada desse sistema de justiça", avaliou.

"Mas num esforço conjunto com outras entidades a gente espera equacionar da melhor maneira possível essa questão e dar essa resposta com maior velocidade, com maior rapidez e maior celeridade.”

O promotor disse que o turismo é “extremamente bem vindo”, e que a prática da exploração sexual está ligada a “exceções”. Segundo ele, a intervenção e a atuação da Polícia Federal, do Ministério Público, das Polícias Civis e Militares têm se profissionalizado cada vez mais no enfrentamento e no combate. Mas que as formas de exploração também têm se aperfeiçoado.

“Isso exige do sistema de justiça e da atuação da polícia um cuidado diferenciado, usando o serviço de inteligência para que a gente identifique esses fatos, para que o mundo saiba que essa conduta de exploração sexual, principalmente com crianças e adolescentes não é bem vinda aqui no Brasil.”