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Brasília - Os postos de
abastecimento de combustíveis serão obrigados a vender
o óleo diesel adicionado com 2% do biodiesel (B2) a partir do
próximo dia 1º de janeiro, segundo anunciou hoje em
entrevista coletiva o ministro interino de Minas e Energia, Nelson
Hubner.
Ele prevê que não haverá impacto
no preço ao consumidor, que já vem procurando o
combustível adicionado. A venda será fiscalizada pela
Agência Nacional do Petróleo (ANP), que fechará
os postos que não cumprirem a determinação.
O espírito de concorrência, segundo
Hubner, fará com que o preço tenha a variação
atual, apesar do custo do biodiesel ser mais alto que o do óleo
diesel, entre 0,018% a 0,060%, dependendo da região produtora.
A Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já
concordou com o governo, inclusive, com a mistura de 3%, mas segundo
o ministro há empresas que já usam o biodiesel
misturado ao diesel acima de 2%.
A meta do governo é aumentar a mistura
obrigatória para 5% a partir de 2013, o que poderá ser
antecipado se os estudos sobre logística e produção
indicarem segurança de abastecimento.
O uso da mistura de 2% requer 840 milhões
de litros de biodiesel e, quando forem misturados 5%, a necessidade
será de 2,5 bilhões de litros por ano.
A produção atual do combustível
alternativo em todas as regiões do país chega a 2,5
bilhões de litros. Esse excesso permite que as frotas que vêm
usando a mistura, que em alguns casos chega a até 3%, comprem
parte do estoque adicional.
Até dezembro de 2008 a produção
deve passar dos 2,5 bilhões de litros atuais para 3,815
bilhões de litros. O uso do combustível alternativo
permitirá economia anual de R$ 900 milhões na
importação de diesel. Quando a mistura for de 5%, a
economia ficará em R$ 2,250 bilhões por ano, segundo
Nelson Hubner.
O Brasil vem importando 7% do óleo diesel
que consome, o que cairá para 5% em 2008. A produção
de biodiesel na agricultura familiar beneficia 100 mil famílias,
num total aproximado de 500 mil pessoas.
Até dezembro de 2008 devem estar envolvidas
na produção 200 mil famílias, que terão
renda mensal entre R$ 250 e R$ 1.500, dependendo do tipo de planta
oleaginosa que cultivar, da área agricultável e da
produtividade. O combustível alternativo é sintetizado
da mamona, do girassol, da soja, do dendê e do algodão.
Na etapa industrial, a fabricação do
biodiesel gera 500 empregos diretos nas usinas já instaladas e
2 mil empregos indiretos. A utilização da mistura
permitirá reduzir a poluição ambiental, com
menor emissão de monóxido de carbono, material
particulado, hidrocarbonetos totais e óxido de nitrogênio,
segundo os setores técnicos do Ministério de Minas e
Energia.
Os leilões de biodiesel promovidos neste
ano pela Petrobras resultaram na contratação de 335
milhões de litros produzidos no Nordeste, 156,6 milhões
de litros na região Sul, 148,7 milhões no Centro Oeste,
147,5 milhões no Sudeste e 97,2 milhões de litros na
região Norte.
Outros leilões feitos em novembro último
no país resultaram na contratação da compra de
380 milhões de litros de biodiesel, sendo 27,4 provenientes do
Nordeste, 27,1% do Centro Oeste, 21,6% do Sul, 14,5% do Sudeste e
9,5% da região Norte.
De acordo com estudo do MME, a diversificação
da matriz energética brasileira, com a introdução
sustentável de um novo combustível renovável
permite a redução das importações de
diesel e petróleo, cria emprego e renda no país; fixa
as famílias no campo e expande a agricultura com
aproveitamento de solos inadequados para produção de
culturas alimentícias. Essas vantagens correm paralelas à
disponibilização de um combustível
ambientalmente correto e permite o desenvolvimento de novos produtos
químicos além de abrir novas rotas tecnológicas,segundo
os estudos do MME.
Entre dezembro de 2004 e dezembro de 2007 foram
investidos em usinas de biodiesel R$ 1 bilhão, conta que
chegará a R$ 1,5 bilhão ao final de 2008.
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