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29 de Dezembro de 2007 - 09h56 - Última modificação em 29 de Dezembro de 2007 - 09h56


Para especialista, avanço do terrorismo no Paquistão tem a ver com situação do Iraque

Julio Cruz Neto
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Além dos dois atentados contra a ex-premiê Benazir Bhutto – o segundo deles, fatal –, outras autoridades paquistanesas foram vítimas de ataques nos últimos tempos, como o ex-ministro do Interior, Aftab Khan Sherpao, e o próprio presidente Pervez Musharraf. O especialista em segurança internacional Reginaldo Nasser, coordenador do curso de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acha que o avanço do terrorismo no Paquistão tem a ver com a conjuntura atual do Iraque.

A rede terrorista Al Qaeda, ele explica, perdeu poder de ação no Iraque, principalmente pelo distanciamento de sunitas – grupo islâmico minoritário no país, ao qual pertencia o ex-ditador Saddam Hussein, que morreu enforcado. “O número de atentados diminuiu e a Al Qaeda tem voltado mais suas ações para a África, como foi o caso da Argélia [referência a um atentado recente] e agora, ao que tudo indica, está voltando ao Paquistão”, acrescenta.

Nasser explica que esses grupos terroristas “não tem estratégia política no sentido clássico que a gente conhece, de um grupo com propostas ideológicas que quer tomar o poder do Estado e ser reconhecido internacionalmente”. A única meta é “criar instabilidade”. A atuação deles é alimentada pela lógica de “algumas tribos”, que consideram que a identidade vale mais que a nacionalidade. É o caso dos pashtuns, localizados tanto no Paquistão quanto no Afeganistão: “Eles se identificam mais como pashtuns do que como paquistaneses ou afegãos. Tudo isso está vindo à tona.”

Ao que tudo indica, diz o professor, há presença muito forte de grupos terroristas dentro do governo: “Se não fosse assim, não seria plausível esse alto número de atentados contra pessoas de alta hierarquia. Eles chegam bem próximo [dos alvos]. A especulação é que há infiltração no serviço de inteligência do Paquistão."

Mas sem conhecimento do presidente Musharraf, que não tem nada a ganhar com a morte de Bhutto. “O atentado contra Benazir não melhora em nada a situação de Musharraf”, avalia Nasser, que no entanto concorda que o “ditador” poderá se fortalecer e, com apoio dos EUA, tentar implantar “medidas de exceção”. Numa situação como essa, acrescentou, "os EUA não vão entrar em discussão de democracia e ditadura – o inimigo maior é o terrorismo. Essa lógica imperou após o 11 de setembro e retorna agora com força, porque o argumento forte do Musharraf é: “Como vou abrir o regime numa situação de caos como essa?” O resultado, prevê Nasser, será apoio ou silêncio da comunidade internacional.

Nesse contexto, ele acha que o Paquistão possui “todos os ingredientes” para a eclosão de uma guerra civil, inclusive pela existência de “um ativismo na sociedade”, com “mobilizações de classe média, grupos religiosos...”



 


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