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Brasília - A presença do Brasil com destaque entre os maiores exportadores de carne do mundo
intensifica pressões em áreas da floresta amazônica
que já sentiram os efeitos da atividade pecuária. A
avaliação é do diretor de Proteção
Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), Flávio Montiel da Rocha.
Em entrevista à Agência Brasil, ele informou que entre as áreas que exigem maior capacidade de monitoramento
estão o norte do estado de Mato Grosso e o Pará, nas regiões da Terra do Meio, do Novo
Repartimento e de Cumaru do Norte, além das proximidades da BR-163, que liga as cidades de Cuiabá (MT) e Santarém (PA).
“A pecuária
exerce papel maior que a agricultura na linha de frente do
desmatamento. É o grande vetor de conversão da floresta
em outros usos econômicos”, afirmou Montiel. Ele ressalvou, porém,
que a responsabilidade pela devastação não pode
ser atribuída apenas a um setor. A
extração ilegal de madeira, por exemplo, é
geralmente a atividade que abre frentes para posterior entrada da
pecuária.
Montiel argumentou ainda que o aumento do rebanho
bovino na Amazônia, apontado em recente pesquisa do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não se
deu necessariamente em função da expansão
da área de pastagem na região, mas da intensificação
da atividade, com melhor aproveitamento de áreas já
devastadas e subutlizadas.
A partir de decreto
assinado neste mês pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ibama estrá
trabalhando na definição de 30 a 35 municípios
da Amazônia, que seriam responsáveis por mais de 50% do
desmatamento na região, para receberem ações
prioritárias do órgão em 2008. Caberá ao
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
( Incra) fazer o recadastramento de todas as propriedades rurais
existentes.
Um sistema de monitoramento para corte raso e
exploração seletiva permitiria um acompanhamento mais
rigoroso, pelo Ibama, do desmatamento nestes locais. “O sistema permitirá identificar se a derrubada é oriunda de plano de
manejo aprovado ou de atividade ilegal, o que nos dá a condição
de antecipar o combate antes que o corte raso venha a ocorrer”,
explicou Montiel.
Ele informou que como o monitoramento por
geoprocessamento e imagens de satélite é feito a cada
dez ou 15 dias, e um desmatamento grande envolve até 50 dias de
atividade, é possível ao Ibama fazer autuações
em flagrante.
O Ibama tem hoje
cerca de 1.770 fiscais no país, designados por
portaria com poder de polícia. O efetivo, segundo Montiel, é
deslocado e concentrado na Amazônia em períodos mais
críticos: “O fiscal é antes de tudo um agente federal,
que não está vinculado a um estado.”
Mas o diretor
do Ibama condiciona a redução de 59% no desmatamento
da Amazônia nos últimos três anos a ações
integradas realizadas em parceria com a Polícia Federal,
Exército, Marinha, Polícia Militar e órgão
estaduais de meio ambiente: “O efetivo cresce para mais de 4 mil
pessoas. Com o apoio logístico e policial, a capacidade de
intervenção fica muito maior.”
Segundo o Ibama, desde 2004 as ações de combate ao desmatamento na Amazônia reduziram em mais de 410 milhões
de toneladas a emissão de carbono na atmosfera e pouparam
mais de 600 milhões de árvores.
*Colaborou Aécio Amado
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