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Rio de Janeiro - Os dias de glória
para duas comunidades cariocas se foram junto o encerramento dos
Jogos Pan-Americanos. Vizinhas a dois dos mais importantes locais dos
jogos, a Vila Olímpica e o Estádio João Havelange, conhecido como Engenhão,
seus moradores agora reclamam que estão esquecidos pelo poder
público e até pela mídia.
Moradora da Favela
Canal do Anil, Ana Lúcia Neves olha da janela do seu barraco
de madeira a imponência dos edifícios da Vila do Pan, a
menos de 100 metros de distância.
Apesar da proximidade,
ela diz que nada mudou
em sua vida ou de qualquer outro morador da favela. O sonho de
Neves é que a filha Laila, 12 anos de idade, consiga apoio para se dedicar ao futebol feminino, sua grande paixão.
“Ela tem um currículo muito bom como jogadora, mas não
dá para levar até os lugares de treinamento, porque não
tem ninguém para patrocinar. A comunidade é muito
pobre”. O presidente
da Associação dos Moradores do Canal do Anil, Francisco
Alberto dos Santos, cobra as promessas de melhorias feitas para a
comunidade na época do Pan, que chegou a ser ameaçada
de remoção pela prefeitura.
Segundo ele, foi prometido
que a rua principal da favela seria asfaltada, o que nunca aconteceu.
“O governo federal enviou dinheiro para a prefeitura pavimentar a
marginal do Canal do Anil, mas não sabemos o que
aconteceu. Hoje temos uma política que não é
voltada para a comunidade carente, só para o interesse da
especulação imobiliária”.
O Engenho de Dentro, às margens da Linha Amarela,
via expressa que liga o centro e a zona norte à Barra da
Tijuca, ganhou o Estádio João Havelange, onde ocorreram as principais provas de
atletismo e jogos de futebol.
Mas, depois do fim do Pan, os moradores
reclamam que a vida piorou e que eles são proibidos de usar o
estádio, agora arrendado para o Botafogo, como conta o
aposentado Osemir Luis.
“Antes tinha um campinho de futebol que a
gente podia usar. Acabaram com a nossa área de lazer”.
Para o presidente da
Associação dos Moradores do Entorno do Engenhão,
Anibal Antunes, o legado do Pan para a comunidade ficou abaixo das
expectativas.
Ele cobra do Comitê Olímpico
Brasileiro (COB) a construção de um centro de
treinamento que deveria funcionar em dois galpões ao lado do
Engenhão e atenderia os moradores da região,
principalmente os jovens.
“O legado não foi positivo. Nós
tínhamos uma promessa de revitalização da nossa
região com mais lazer e segurança, e hoje a gente
enxerga que esse estádio está se tornando um verdadeiro
elefante branco, até porque não vieram os projetos
sociais que fariam parte do projeto”.
Segundo o COB, o
projeto do centro de treinamento foi redimensionado e a estrutura
será construída em um outro bairro, pela falta de
espaço no terreno ao lado do Engenhão.
Mesmo assim, o
secretário-geral do Comitê Organizador do Pan, Carlos
Roberto Osório, garante que não está descartada
a idéia de que os galpões junto ao estádio sejam
adaptados para abrigar projetos sociais ligados ao esporte, como
havia sido prometido aos moradores.
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