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Brasília - Os resultados das eleições no Quênia levaram o país a uma
onda de violência que já deixou cerca de 300 mortos. Desde domingo (27), quase
80 mil de quenianos deixaram suas casas e até mesmo o país com medo de ataques.
Pelo menos 35 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram queimadas vivas
numa igreja em Kiamba, perto da cidade de Eldoret.
A União Africana mediará a crise política e humanitária. De
acordo com o Itamaraty, até agora, não há registro de brasileiros entre as
vítimas. Cerca de 120 residem no país – a maioria atua em empresas,
representações diplomáticas e organizações internacionais.
Apesar de não ter participado da organização das eleições
ou enviado observadores, o Brasil tem ampliado os esforços para a cooperação
política e o intercâmbio comercial com o Quênia. Os dois países defendem uma
reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). Desenvolvem também projetos
em parceria nas áreas de combate à aids e biocombustíveis.
Entre 2004 e 2007 (até outubro), a corrente de comércio (exportações e
importações) entre Brasil e Quênia passou de US$ 20,2 milhões para US$ 49,9
milhões. O país africano exerce liderança política e econômica no continente.
Nos últimos dois anos, registrou um crescimento de 9% no Produto
Interno Bruto (PIB), segundo relatório da agência de inteligência
norte-americana (CIA).
A instabilidade política, no entanto, preocupa a comunidade
internacional. O candidato derrotado pelo presidente reeleito Mwai Kibaki,
Raila Odinga, questiona o resultado das eleições. Segundo a Comissão Eleitoral, Mwai Kibaki, do Partido de
Unidade Nacional (PNU), obteve 4,5 milhões de votos, enquanto Raila Odinga, do
Movimento Democrático Laranja (ODM), recebeu 4,3 milhões.
O porta-voz do
governo queniano, Alfred Mutua, disse que nas próximas semanas as manifestações
públicas estão proibidas, apesar de a oposição ter convocado para amanhã (3)
uma grande ação de protestos em todo o país. Já o líder da oposição pediu à população queniana para protestar "pacificamente"
contra os resultados. "Apelamos a uma ação em massa, uma ação em massa
pacífica", afirmou Odinga, em entrevista coletiva na capital Nairobi.
A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice,
e o ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, também lançaram
hoje um apelo aos dirigentes quenianos para que "demonstrem espírito de
compromisso".
"Seguimos de perto os acontecimentos no Quênia nas últimas 48 horas.
Felicitamos o povo queniano pela sua ligação à democracia. No entanto, existem
informações independentes que apontam para irregularidades sérias no processo
de recontagem [dos votos]", diz o texto assinado por Rice e Miliband.
* Com informações das agências Lusa e Telam
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