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Brasília - O ex-ministro-chefe da
Casa Civil José Dirceu divulgou nota hoje (4) negando
ter afirmado que a sede do Partido dos Trabalhadores (PT) em Porto
Alegre foi comprada com dinheiro de caixa 2, ou seja, recursos não declarados.
A declaração
atribuída a ele em reportagem da revista Piauí é de que a obra na capital gaúcha
“foi feita só com caixa dois”. Segundo a publicação, o ex-ministro acrescentou: “Era com mala de
dinheiro”.
Ao se defender, José Dirceu disse que se referia a denúncias feitas pela oposição, e que, após exaustiva investigação, o PT no Rio Grande do Sul e os dirigentes do partido foram absolvidos no caso. "Não fiz
acusações relacionadas à compra da sede do PT em
Porto Alegre", escreveu. "Limitei-me a repetir que ocorreram denúncias de
que o prédio fora comprado com recursos ilegais e que a
oposição falou em 'sacos de dinheiro', mas que a
Justiça e uma CPI investigaram exaustivamente os fatos e, ao
final, o PT gaúcho e os dirigentes alvo da denúncia
foram absolvidos."
O ex-ministro, que é réu no processo do mensalão, acrescentou que o foco de seu comentário era a falta de solidariedade de petistas do Rio Grande do Sul que, segundo ele, tiveram apoio do partido diante das acusações: "A direção
nacional não os pré-julgou não só pela
solidariedade partidária, como pelo respeito ao direito
sagrado à presunção da inocência. O que
destaquei à jornalista [da revista], então, é que a recíproca
não ocorreu e que quando acusado não recebi o mesmo
tratamento de alguns dirigentes do PT gaúcho. Estes não
levaram em conta sequer a presunção da minha
inocência."
Questionado à tarde por jornalistas sobre o caso da sede em Porto Alegre, o
ministro da Justiça, Tarso Genro, respondeu:
“Não tenho nenhuma informação sobre isso, porque eu não era da direção
estadual nem da nacional [do PT]. Também não integrava o governo do governador
Olívio Dutra. Acho que foi um contencioso que ele [Dutra] estabeleceu
com o diretório do partido naquela oportunidade”.
Diante de nova pergunta sobre o assunto, Tarso
acrescentou:
“Percam a esperança. Não vou aqui, como ministro da Justiça, responder
questões internas do partido, particularmente relacionadas com o debate
de José Dirceu com a ex-direção do partido no estado”.
Na nota de hoje, Dirceu também contestou a afirmação da revista de que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares participou recentemente de jantar com ele e com os deputados
petistas José Genoino e João Paulo Cunha (também réus no caso do mensalão) e Antonio Palocci. "Não poderia fazê-lo
porque Delúbio simplesmente não participou deste
jantar", informou.
Negou, ainda, ter feito considerações à revista sobre um dos filhos do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz.
Segundo o ex-ministro, comentários dele publicados como referências a Fábio Luiz, conhecido como Lulinha, diziam
respeito ao jornalista Luiz Costa Pinto, que tem o mesmo
apelido.
*Colaboraram Juliana Cézar Nunes, Yara Aquino, Isadora Grespan, Daniel Merli e Geísa Mello. A matéria foi alterada para acréscimo de informações.
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