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4 de Janeiro de 2008 - 21h43 - Última modificação em 4 de Janeiro de 2008 - 22h32


José Dirceu nega ter afirmado que sede gaúcha do PT foi construída com caixa 2

Pedro Biondi*
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu divulgou nota hoje (4) negando ter afirmado que a sede do Partido dos Trabalhadores (PT) em Porto Alegre foi comprada com dinheiro de caixa 2, ou seja, recursos não declarados.

A declaração atribuída a ele em reportagem da revista Piauí é de que a obra na capital gaúcha “foi feita só com caixa dois”. Segundo a publicação, o ex-ministro acrescentou: “Era com mala de dinheiro”.

Ao se defender, José  Dirceu disse que se referia a denúncias feitas pela oposição, e que, após exaustiva investigação, o PT no Rio Grande do Sul e os dirigentes do partido foram absolvidos no caso. "Não fiz acusações relacionadas à compra da sede do PT em Porto Alegre", escreveu. "Limitei-me a repetir que ocorreram denúncias de que o prédio fora comprado com recursos ilegais e que a oposição falou em 'sacos de dinheiro', mas que a Justiça e uma CPI investigaram exaustivamente os fatos e, ao final, o PT gaúcho e os dirigentes alvo da denúncia foram absolvidos."

O ex-ministro, que é réu no processo do mensalão, acrescentou que o foco de seu comentário era a falta de solidariedade de petistas do Rio Grande do Sul que, segundo ele, tiveram apoio do partido diante das acusações: "A direção nacional não os pré-julgou não só pela solidariedade partidária, como pelo respeito ao direito sagrado à presunção da inocência. O que destaquei à jornalista [da revista], então, é que a recíproca não ocorreu e que quando acusado não recebi o mesmo tratamento de alguns dirigentes do PT gaúcho. Estes não levaram em conta sequer a presunção da minha inocência."

Questionado à tarde por jornalistas sobre o caso da sede em Porto Alegre, o ministro da Justiça, Tarso Genro, respondeu: “Não tenho nenhuma informação sobre isso, porque eu não era da direção estadual nem da nacional [do PT]. Também não integrava o governo do governador Olívio Dutra. Acho que foi um contencioso que ele [Dutra] estabeleceu com o diretório do partido naquela oportunidade”.

Diante de nova pergunta sobre o assunto, Tarso acrescentou: “Percam a esperança. Não vou aqui, como ministro da Justiça, responder questões internas do partido, particularmente relacionadas com o debate de José Dirceu com a ex-direção do partido no estado”.

Na nota de hoje, Dirceu também contestou a afirmação da revista de que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares participou recentemente de jantar com ele e com os deputados petistas José Genoino e João Paulo Cunha (também réus no caso do mensalão) e Antonio Palocci. "Não poderia fazê-lo porque Delúbio simplesmente não participou deste jantar", informou.

Negou, ainda, ter feito considerações à revista sobre um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz. Segundo o ex-ministro, comentários dele publicados como referências a Fábio Luiz, conhecido como Lulinha, diziam respeito ao jornalista Luiz Costa Pinto, que tem o mesmo apelido.


*Colaboraram Juliana Cézar Nunes, Yara Aquino, Isadora Grespan, Daniel Merli e Geísa Mello. A matéria foi alterada para acréscimo de informações.

 


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