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Brasília - O financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2008 já
contabiliza a perda de pelo menos R$ 4 bilhões, decorrentes
do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CMPF). O
montante integrava o chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde.
A afirmação é do presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior. Segundo ele, como o governo ainda não sinalizou se as mudanças
tributárias anunciadas no último dia 2 para compensar as perdas pelo fim da CPMF vão
se traduzir em recursos para a saúde, o impacto pode se agravar. "Nossa grande preocupação é que os R$ 20 bilhões em cortes
gerais anunciados pelo governo atinjam áreas sociais, o que venha a significar
aumento da demanda que temos hoje para o sistema de saúde”, afirmou, em entrevista hoje (4) à Agência
Brasil. Batista Júnior afirma que os R$ 4 bilhões seriam aplicados em
atenção básica nos municípios e em programas
de prevenção. Sem os recursos, ele avalia que pode ocorrer um aumento na demanda de
tratamento de doenças.
O corte é definido pelo presidente da Frente Parlamentar
da Saúde, deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS), como “desastroso” para a área.
O deputado afirma que, com os recursos do PAC da Saúde, o orçamento do setor em 2008 chegaria
a R$ 52 bilhões. Após o fim da CPMF, só está garantido um
piso constitucional de R$ 48 bilhões,
considerado insuficiente pela Frente.
“Temos 15 milhões de
brasileiros com pressão alta, 4,5 milhões com diabetes, 1 milhão de grávidas que não conseguem
fazer o pré-natal e mais de 50 mil casos de câncer de mama que ocorrem pela falta
de acesso a exames. Com o dinheiro, que já era pequeno, menor, a crise real só vai piorar”, disse Perondi.
Segundo o deputado, o governo, por ter maioria na Comissão
Mista de Orçamento, pode reformular a proposta orçamentária em fevereiro
e destinar no mínimo R$ 10 bilhões a
mais para a saúde. “O país existe em função das pessoas, e se elas não têm seu maior tesouro, que é a
vida com saúde, o Estado não tem razão para existir”.
Em nota, a ministra interina da Saúde, Márcia
Bassit, informa que a pasta estuda alternativas para viabilizar os investimentos de R$ 24 bilhões que estavam previstos para os próximo anos a
partir de negociação com a equipe econômica do governo.
No documento, Bassit lembra que a
Presidência da República enfatizou que as áreas sociais não serão
prejudicadas no novo cenário.
“O Ministério da Saúde possui uma proposta concreta
para melhorar o padrão de serviço público e de saúde da população brasileira e
empenhará seus esforços para a concretização deste projeto”, diz a ministra na nota.
Perondi promete articular uma manifestação em Brasília com
entidades do setor para sensibilizar o presidente Luiz Inácio Lula da silva.
“Tenho muita
confiança de que haverá um gesto histórico de generosidade que só é próprio do
presidente Lula e não da área econômica. Ele vai dizer: espera aí, a saúde
precisa manter o PAC, os recursos que tinham sido planejados e até mais”.
O presidente do Conselho Nacional de Saúde disse que a entidade vai propor aos senadores
votarem a regulamentação da emenda 29 "sob a lógica original", ou seja, estabelecendo o
piso de investimento de 10% das receitas da União a ser aplicado na saúde.
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