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Brasília - Ainda sem a garantia de
recursos para o Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) da Saúde, após a rejeição pelo Congresso à manutenção da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), gestores do setor afirmam que não podem se responsabilizar por
uma provável piora no atendimento à população
nos próximos meses.
A posição foi reiterada
hoje (8) pelo presidente do Conselho Nacional de Secretários
de Saúde (Conass), Osmar Terra, também secretário estadual de Saúde
do Rio Grande do Sul.
Em entrevista coletiva, ele afirmou que "o Congresso tem responsabilidade por não ter nos deixado
alternativa de financiamento do sistema". Depois de indagar quem será "responsável
pela defasagem de recursos na área da saúde", Terra insistiu que "o peso da
demanda vai para dentro do Congresso”.
O cenário
previsto por ele inclui a continuidade das filas para tratamento de
câncer, o aumento do número de hipertensos sem
atendimento e manutenção da defasagem salarial de
profissionais que atendem urgência e emergência.
Na manhã de hoje, Terra disse ter ouvido do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, só ter a garantia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o limite constitucional de R$ 48 bilhões para o orçamento do setor será respeitado. O valor não inclui os R$ 4 bilhões que seriam aplicados por meio do PAC. A assessoria de
imprensa do Ministério da Saúde informou que o Temporão mantém a negociação com a equipe econômica do governo, a fim de encontrar alternativas compensatórias.
Osmar Terra destacou que o setor está historicamente sub-financiado no Brasil. Há 20
anos, quando foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS), ele seria mantido por 30% do orçamento da seguridade social,
que acabaram desvinculados. E os recursos da CPMF também nunca foram inteiramente destinados ao setor: "A saúde
continua sendo o patinho feio. Sempre que tem se tem de tirar de algum
lugar, ela é a escolhida.”
O secretário
apresentou números pelos quais o investimento per capita em
saúde no Brasil seria de US$ 145 – valor inferior aos US$ 600 da Argentina e aos US$ 2 mil do Canadá. A discrepância
seria agravada pelo fato de o sistema brasileiro ser mais abrangente,
ao oferecer, por exemplo, tratamento gratuito para pacientes com
aids, com custo individual médio de R$ 2 mil mensais.
“É
importante que a população saiba que a saúde
está sem orçamento adequado e precisaria, no mínimo,
dobrar o que ela tem”, alertou Terra.
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