|
Brasília - Uma das alternativas
apontadas pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde
(Conass) para solucionar os gargalos de financiamento do Sistema
Único de Saúde (SUS) é a aprovação, pelo Congresso Nacional, da regulamentação da Emenda 29 na forma proposta
pelo senador Tião Viana (PT-AC).
A medida implicaria vinculação de 10% da receita tributária bruta do
governo federal para o setor, a fim de compensar as perdas com o fim da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF).
“Isto equivaleria a
destinar a totalidade da CPMF para a saúde. O orçamento
do setor atingiria cerca de R$ 70 bilhões”, argumentou hoje (8) o
presidente do Conass, Osmar Terra, em entrevista coletiva.
A Constituição obriga os estados a investirem na saúde 12% de sua receita tributária líquida e os municípios, 15%, enquanto o governo federal investe de acordo com a variação do Produto Interno Bruto (PIB).
O Conass pretende se articular com outras entidades nacionais, governadores e prefeitos, a fim de sensibilizar os parlamentares a
tratarem do assunto na primeira semana de retomada dos trabalhos
legislativos, em fevereiro.
Segundo o representante
dos secretários estaduais, a regulamentação
da Emenda 29 vai atenderia ao compromisso firmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva momentos antes da votação da continuidade da CPMF, quando assinou
documento em que prometia a destinação integral dos recursos do tributo para a saúde.
Osmar Terra avaliou que
o clima político no Congresso será mais propício
a um entendimento em fevereiro do que foi em dezembro. “Alguns que achavam importante o governo ser derrotado naquele
momento, já admitiam rediscutir. A questão política
mais séria é os senadores poderem ser responsabilizados pela crise de atendimento que vai entrar”, disse.
Se não houver
uma compensação de recursos, segundo Terra, haverá prejuízos na qualidade do atendimento a pacientes hipertensos, com câncer ou que necessitam de socorro emergencial. O presidente do Conass lembrou que quando o SUS foi
criado, há 20 anos, seria financiado por 30% do
orçamento da seguridade social, que hoje equivaleriam a R$ 95
bilhões – quase o dobro dos R$ 48 bilhões garantidos para o setor neste ano.
|