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Brasília (Brasil) - O vice-líder do PSDB, Álvaro Dias
(PR), apresentou hoje à Mesa Diretora do Senado um projeto de
decreto legislativo(PDL) para suspender os efeitos do decreto
presidencial que regulamentou as mudanças na cobrança
do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O
objetivo é que a matéria seja apreciada em fevereiro,
quando os parlamentares retornarem do recesso.
O tucano encaminhou um PDL idêntico para
análise da Comissão Representativa do Senado. Como
nessa comissão o governo tem maioria, Dias optou pela
apresentação de dois projetos no mesmo sentido. "Se
a comissão não se reunir ou se houver a reunião
e ela rejeitar a matéria, haverá um outro projeto que
persistirá e vale para o período legislativo normal",
explicou. Na Comissão Representativa o governo tem maioria
folgada ao contrário das votações em Plenário.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho
(PMDB-RN), já afirmou que pretende convocar a Comissão
Representativa. "A comissão existe para isso. Caso
contrário, para que serviria?", comentou, ontem, em
entrevista coletiva.
O argumento de Álvaro Dias para tentar
derrubar as mudanças feitas pelo governo na cobrança da
IOF é de que, na prática, foi criado um novo tributo.
"O imposto [IOF] é caracterizado como imposto
regulador e, em função disso, sua alíquota pode
ser alterada para sanar turbulências no mercado financeiro, que
não é o caso que acontece nesse momento no Brasil".
O vice-líder tucano afirmou, ainda, que o
governo modificou as regras de cobrança do IOF para aumentar
sua arrecadação, "transformando aquilo que é
regulador num instrumento para elevação de receitas
orçamentárias". Ele também utilizou os
mesmos argumentos do partido Democratas (DEM), que ontem protocolou,
no Supremo Tribunal Federal (STF), ação direta de
inconstitucionalidade da matéria. Álvaro Dias considera
que ao determinar dupla cobrança de IOF numa mesma operação
o governo criou um novo tributo.
O parlamentar alegou, como o DEM, quebra de
isonomia tributária. Na sua avaliação, nas
operações de crédito os tomadores de empréstimo
pessoa física são mais onerados na cobrança do
IOF do que as pessoas jurídicas.
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra
(PE), informou que o partido estuda outras medidas além da
apresentação do projeto de decreto legislativo, contra
as medidas econômicas determinadas pelo Executivo. No caso da
medida provisória que aumentou a alíquota de cobrança
da Contribuição sobre o Lucro Líquido das
Empresas (CSLL), para as instituições financeiras,
Sérgio Guerra disse que o partido tentará "derrubar"
a medida provisória.
"Nós fomos contra a prorrogação
da CPMF [Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira]. Por que vamos aprovar
medidas setoriais que aumentam o desequilíbrio fiscal?",
indagou o presidente do PSDB. Segundo Guerra, a possibilidade de o
governo aprovar matérias de aumento da carga tributária,
no Senado, "está cada vez mais débil". Ele
acrescentou que, nesse sentido, "os argumentos do governo são
cada dia mais fracos".
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