Skip to content. Skip to navigation

A empresa    Fale Conosco    Trabalhe Aqui    Contas
BUSCA:     Ok  
 
Notícias Grandes Reportagens Coberturas Temáticas Banco de Imagens Multimídia Todos os Assuntos Canal do Leitor
 
9 de Janeiro de 2008 - 18h33 - Última modificação em 9 de Janeiro de 2008 - 18h33


Falta de planejamento e de investimento provocou atual crise de energia, diz Pinguelli

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
envie por e-mail
imprimir
comente/comunique erros
download gratuito

Rio de Janeiro - O governo federal não fez os planejamentos necessários e deixou de investir na área de abastecimento de energia, mesmo depois do episódio de racionamento verificado no Brasil, em 2001. A análise foi feita pelo físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“[O governo] não completou o dever de casa. Ficaram faltando algumas questões que não foram respondidas”, avaliou.

Embora o Brasil possua uma das maiores bacias hidrográficas do mundo, as hidrelétricas existentes no país não bastam para atender ao consumo. Isso se deve, segundo frisou Pinguelli, à falta de investimentos.

“Nós não temos mais o número de hidrelétricas necessárias para fazer face a esse problema. Isso já foi uma política anterior, que o governo atual seguiu. E aí você precisa de termelétricas para complementá-las quando for preciso, como ocorre agora. Mas aí faltou o gás natural, porque também houve uma política desentrosada entre o gás natural e a energia elétrica. Sem dúvida, são erros de planejamento”, sinalizou.

O maior “desbalanceamento” é  identificado, segundo Pinguelli, no chamado consumidor livre, cujo percentual no passado era de 10% do consumo de energia e hoje se situa na faixa entre 25% a 30% do total. “São grandes indústrias que não são submetidas ao planejamento. Elas têm contratos variados, utilizando energia do sistema.”

É considerado consumidor livre aquele que tenha exercido a opção de compra de energia elétrica de fornecedor distinto da concessionária local de distribuição, ou seja, de  produtores independentes. Para Pinguelli, enquanto a energia é livremente negociada para o consumidor livre, o consumidor cativo absorve erros e acertos do planejamento centralizado do governo e da distribuidora.

O diretor da Coppe criticou a  existência do consumidor livre, que levou à criação de uma figura não prevista inicialmente: a comercializadora de energia que, segundo ele, "entra no meio e vende a energia do sistema, que nós todos consumimos, para esses grandes consumidores. Mas vende de uma forma aleatória, em contratos variáveis, que não são públicos. Então, você perdeu a informação para ter o planejamento”.

Pinguelli afirmou que o planejamento não foi adequado porque faltava informação, em particular, da parte do consumidor livre.

Outra questão que não foi resolvida pelo governo é o problema do gás. “Foi muito mal equacionada a combinação entre gás natural e energia hidrelétrica. E está dependendo agora da importação de gás liquefeito de petróleo (GNL) pela Petrobras”, disse Pingueli.

A primeira usina de regaseificação de GNL da Petrobras tem inauguração prevista para maio deste ano. Pinguelli disse que a entrada em operação dessa unidade “alivia o problema do gás porque permite usar mais termelétricas”. O gás natural é o combustível mais adequado para as térmicas brasileiras em razão do custo mais barato, destacou.

Luiz Pinguelli Rosa analisou que os investimentos programados para o setor elétrico sofreram muito atraso. Um exemplo notório, segundo ele, é o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).

“Uma boa iniciativa de geração eólica (dos ventos), pequenas centrais hidrelétricas, de uso de biomassa e que, infelizmente, atrasou muito. Metade das eólicas não saiu do papel. Isso é ruim porque não é tão pouco”, criticou.

De acordo com Pinguelli, as usinas eólicas prevêem a geração de 3,3 mil megawatts, enquanto a usina nuclear de Angra 3 vai gerar 1,35 mil megawatts. Ele citou também problemas ambientais que retardaram o licenciamento de usinas hidrelétricas importantes, como Santo Antonio, no Rio Madeira.

Pinguelli avaliou que o crescimento previsto para o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas produzidas no país, levará a um aumento do consumo de energia elétrica. E a oferta de energia será insuficiente para atender à demanda. “Esse  é um dos fatores que estão presentes na possibilidade de falta de energia daqui a um ou dois anos. Daí a antecipação da ligação das termelétricas para enfrentar esse problema.”

Luiz Pinguelli afirmou, porém, que o crescimento econômico é positivo. Ele  salientou que cabe ao governo encontrar a solução para o impasse “porque senão você estrangula o crescimento por falta de energia”.

A resolução do problema passa pela construção de novas hidrelétricas de grande porte, como as de Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira, sinalizou o diretor da Coppe/UFRJ. Ele destacou, por outro lado, que essas usinas não vão resolver a crise atual. "Elas vão evitar crises futuras”, avaliou.



 


O conteúdo deste site é publicado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 2.5. Brasil.

Expediente      Fale com a redação

Agencias Parceiras

  
Portugal  Argentina