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Manaus - Já está em liberdade o coordenador regional da reserva
indígena Raposa Serra do Sol, Tuxaua Clodomir Malheiros, que no sábado (12) fora preso
em flagrante pela Polícia Federal (PF), por porte ilegal de arma. Malheiros e um grupo de seis indígenas da reserva
foram acusados de bloquear o trânsito de pessoas no trecho que interliga as
rodovias BR-401 e BR-433, e que dá acesso ao Lago Caracaranã.
Segundo o
superintendente da PF em Roraima, Cláudio de Souza,
Caracaranã é uma região turística e tradicionalmente procurada neste período de férias. Ele relatou que os indígenas obstruíram a passagem e ainda provocaram tumulto ao atingir com uma flecha um
soldado do Exército.
"A PF foi acionada depois que esse homem foi ferido.
Não foi nada grave e ele já está em casa. Mas além disso, fizemos a
prisão em flagrante do Tuxaua Clodomir Malheiros que portava irregularmente um revólver calibre 38 e com munição", contou.
O local está dentro da terra indígena e também faz parte do
município de Normandia, a cerca de 160 quilômetros da capital, Boa Vista. Depois de prestarem depoimentos, os seis índios foram
liberados e Malheiros, levado na manhã de ontem (13) para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista. O assessor da Casa Civil da Presidência da República, José Nagib,
que chefia o comitê gestor para desocupação da terra indígena, informou que Malheiros foi libertado ontem mesmo, com a ajuda do Ministério
Público Federal. E que o clima no local já voltou à normalidade. Ele disse esperar agora a regularização da situação entre
índios e não-índios, iniciada com a homologação da reserva.
"Temos que aguardar esse processo de desintrusão. Já estamos
fazendo as atividades que vão nos ajudar a implementar o projeto de
desenvolvimento sustentável para a região com os indígenas – e que deve
ser realizado com o apoio dos municípios e dos governos estadual e federal. O
desejo é que isso aconteça o mais brevemente possível", ressaltou.
Informações divulgadas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na internet apontam que os indígenas
estavam no local para fiscalizar o ponto do Lago Caracaranã que,
segundo eles, tem sido "contínua e sistematicamente objeto de entrada
ilegal de pessoas não-índias e de agressões contra o meio ambiente, por
causa de promoções turísticas não aceitas e nem administradas
pelas comunidades indígenas".
Para os indígenas, qualquer
atividade que venha a ser realizada dentro da reserva deve ter o consentimento e participação das comunidades. Ainda segundo o
Cimi, a fiscalização é uma ação comunitária que tem como objetivo
evitar a entrada de bebida alcoólica na região, conscientizar sobre os
cuidados com o meio ambiente e fortalecer a garantia do direito à
terra, homologada em abril de 2005.
O bloqueio da estrada ocorreu paralelamente ao segundo dia da festa
da colheita anual de arroz, realizada todos os anos pela Associação dos
Arrozeiros de Roraima. A presença dos rizicultores na reserva
configura-se atualmente como o principal entrave para a efetivação do
processo de desintrusão dos não-índios, já que parte dos
fazendeiros e produtores que se mantêm no local não concorda com a
proposta do governo federal para deixar a área.
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