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Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim,
justificou hoje (21) a “flexibilização” das
operações no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São
Paulo (SP), afirmando que as autoridades do setor aéreo
reassumiram o controle do aeroporto, e que esse voltou à normalidade
graças a medidas anteriores e a uma maior integração
entre os órgãos do setor.
“Tínhamos um caos absoluto
no controle e uma desconexão entre as entidades que controlam
o aeroporto. Anac [Agência Nacional de Aviação
Civil] de um lado, Infraero [Empresa Brasileira de
Infra-Estrutura Aeroportuária] e Decea [Departamento de
Controle do Espaço Aéreo] do outro. Tínhamos
uma falta de comunicação e só com esse congelamento de Congonhas
conseguimos reassumir o controle completo do aeroporto”, declarou
Jobim, em referência a decisão anterior do Conselho
Nacional de Aviação Civil (Conac).
Segundo ele, a quantidade de vôos,
34 movimentos [partidas e chegadas] por hora, não será
alterada, e a segurança dos usuários está
garantida. “Estamos flexibilizando a utilização e as
operações em Congonhas sem mexer nos níveis de capacidade do aeroporto e continuaremos fiscalizando o peso das
aeronaves. Temos condição de flexibilizar a operação
sem nenhuma redução do nível de segurança.
A segurança continua intocável”, disse.
O ministro garantiu que a decisão
não se deve à reclamações das companhias
aéreas. “É fundamental que a capacidade do uso dos
aeroportos não seja flexibilizada em relação às
malhas aéreas das empresas. Elas é que têm de se
ajustar à capacidade operacional dos aeroportos. E isso é
definido pela Anac”.
Em julho de 2007, mês em que
ocorreu, no local, o acidente com o Airbus A320 da empresa TAM, o
Conac proibiu as operações de vôos charter,
conexões e escalas em Congonhas. A intenção era
reduzir a quantidade de vôos e passageiros no aeroporto
sobrecarregado. Com a medida, as empresas aéreas tiveram de
adequar suas malhas aéreas, transferindo vôos para
outros aeroportos.
Em setembro, a Anac estabeleceu que
as companhias só poderiam utilizar Congonhas em vôos de
até mil quilômetros a partir do aeroporto. A medida
gerou críticas do setor turístico, sobretudo da Região
Nordeste. Depois de apenas um mês, a distância dos vôos
durante as férias de verão foi ampliada para 1.500
quilômetros.
Hoje, foi publicada no Diário
Oficial da União a resolução do Conac
autorizando a volta dos vôos regulares com escalas e conexões
e dos vôos charter e fretados entre as 14 horas e 22h45 de
sábado e entre as 6 horas e as 14 horas de domingo.
Questionado se a decisão
anterior havia sido um equívoco, Jobim a defendeu e ressaltou
que era anterior a sua chegada ao ministério. “Quando eu
cheguei, o Conac já havia decidido naquele sentido. Naquele
momento, a medida se justificava. Com a redução do
número de vôos, passamos a ter condições
de redimensionar a operação de Congonhas. Não é
uma questão de termos errado, mas de termos reassumido o
controle”.
Segundo o ministro, a manutenção
da distância de 1.500 quilômetros para os vôos
ainda está em estudo. “Isso depende de estudo da Anac. O que
precisamos é estabelecer o uso de Congonhas dentro da sua
capacidade operacional. O limite, hoje, é de 30 slots
[partidas e chegadas] por hora para a aviação
regular e quatro para a aviação geral. Isso não
se altera. O que a Anac está estudando é o peso das
aeronaves, que varia conforme a distância do vôo”.
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