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25 de Janeiro de 2008 - 09h12 - Última modificação em 25 de Janeiro de 2008 - 21h26


Situação da saúde em município do Pará assusta rondonistas

Paula Laboissière
Enviada especial

 
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Marcello Casal Jr/ABr
Santarém Novo (PA) - Pescadores de caranguejo no Rio Maracanã, região onde atua o Projeto Rondon Santarém Novo (PA) - Pescadores de caranguejo no Rio Maracanã, região onde atua o Projeto Rondon
Santarém Novo (Pará) - Há 15 dias no município de Santarém Novo (PA), a 200 quilômetros de Belém, o professor de odontologia da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) Tomaz Araújo afirma que não conseguiu esconder o susto ao conhecer o pequeno hospital do município. Logo na chegada, uma bandagem ainda com sangue sobre o tapete de entrada surpreendeu o professor.

“Na verdade, não é nem um hospital. É uma unidade básica, onde as pessoas têm apenas um atendimento quase de triagem”.

Segundo ele, o local foi construído com uma estrutura forte, que permite o funcionamento de um pequeno hospital. “Eles têm equipamento e estrutura física, mas não têm pessoal nem estão capacitados para isso”.

Araújo é um dos 16 rondonistas que participam da Operação Grão-Pará, primeiro pacote de ações do Projeto Rondon para 2008. Mais 30 municípios do estado, além de 13 no Piauí, recebem equipes formadas por professores e alunos universitários que buscam identificar problemas e, com palestras e oficinas, orientar os gestores na busca de melhorias e possíveis soluções.

A cidade não tem rede de esgoto, os habitantes convivem com urubus que reviram o lixo espalhado nas ruas e os serviços de saúde prestados à população são deficientes.

A secretária de Saúde da Prefeitura de Santarém Novo, Sarah Araújo Pimentel, admite grande parte dos problemas detectados pelo projeto no hospital. “Na unidade básica é tudo básico, os recursos são mínimos. A gente atende não só o pessoal daqui, mas de outros municípios”.

Ela destaca, entretanto, que as ações promovidas pelo projeto já surtem resultados. “A gente está vendo um avanço na questão da saúde e do acesso. Os agentes comunitários de saúde participaram [das oficinas] com maior gás”.

Apesar do pouco tempo, Tomaz Araújo garante que muita coisa mudou após a chegada da operação na cidade. Ele lembra que a pequena unidade de atendimento não dispunha de sala de esterilização, mas contava com todo o equipamento necessário para o procedimento.

“Em dois dias, começamos a esterilizar todo o material do hospital”. As mudanças continuaram desde o laboratório de análises clínicas, onde foi constatada contaminação, até à sala de recepção, antes inexistente.

Em julho, os rondonistas devem voltar a Santarém Novo para implementar o projeto de retorno, já aprovado pela prefeitura. Mas o sinal verde da prefeitura não parece ser suficiente para que a implementação do hospital de pequeno porte se concretize: a falta de mão-de-obra capacitada na região ainda é grave.

O professor revela que 80% do orçamento anual de Santarém Novo estão comprometidos com o funcionalismo, quando a lei permite um índice máximo de 60%. Segundo ele, dos 20% restantes, cerca de 17% são destinados ao transporte de pacientes para a capital do estado, onde é realizado o tratamento.

“Sobra pobreza, sujeira, doença, insatisfação e, o que é pior, o comodismo e o empreguismo. Por isso, temos trabalhado dentro da comunidade. Para ver se muda esse perfil”.

A estudante de pós-graduação em análises clínicas Mirlene Ramalho diz que encontrou medicamentos estocados e vencidos, que acabaram se perdendo por não terem sido prescritos pelos poucos médicos em escala na cidade. O retrato de pobreza nos municípios do nordeste do Pará impressiona a rondonista de primeira viagem.

“A realidade da gente é outra. A gente chega aqui, vê uma coisa muito carente e acaba se comovendo. Tem muita coisa para passar, não pode guardar. A gente está aqui pra isso, para passar um pouquinho da gente”.


A equipe viajou a convite do Ministério da Defesa.
 


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