Por meio de sua assessoria, o Partido dos Trabalhadores informou hoje (26) que não vai analisar isoladamente o conteúdo dos depoimentos do inquérito do chamado mensalão. O partido decidiu aguardar o conjunto das declarações para conferir a consistência com os registros contábeis e atas de reuniões das instâncias partidárias.
Na quarta-feira (23), o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares teria dito à Justiça Federal, em São Paulo, que teve aval da Executiva Nacional do partido para quitar uma dívida não-contabilizada de R$ 26 milhões na campanha eleitoral de 2002. Ele afirmou ter sido orientado pela direção nacional do PT a “encontrar uma solução” para o problema.
Delúbio responde às acusações de corrupção ativa e formação de quadrilha na ação penal do Supremo Tribunal Federal (STF) que julga as acusações de compra de votos no caso do mensalão. O ex-tesoureiro também teria afirmado que procurou o publicitário Marcos Valério de Souza por iniciativa própria, de quem conseguiu um empréstimo.
O advogado Celso Vilardi, responsável pela defesa do ex-tesoureiro do PT, negou que seu cliente tenha dito à Justiça ter recebido “carta-branca”. Alega que as declarações de seu cliente foram tiradas de contexto. Segundo Celso Vilardi, a Exceutiva autorizou o ex-tesoureiro a tocar o projeto de crescimento do partido, que previa a abertura de novos diretórios com foco nas eleições de 2004.
A Agência Brasil não teve acesso ao depoimento de Delúbio Soares, pois o processo tramita em segredo de Justiça.