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Brasília - Crise
norte-americana, desvalorização do dólar e dívida
externa foram alguns dos temas tratados pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva com o lider cubano Fidel Castro no encontro que tiveram
no último dia 15, em Havana. Duas semanas após o encontro, o conteúdo da conversa foi revelado em três artigos
publicados pelo líder cubano no Granma – jornal do Partido
Comunista Cubano - de hoje (28) e dos dias 24 e 25 deste mês.
Lula passou apenas 24
horas em Cuba. Tinha agenda cheia, mas cancelou todos os compromissos
que teria à tarde à espera de um sinal positivo para a visita a Fidel, que dependia de autorização
médica. Finalmente encontraram-se às 17 horas. Ao sair, o presidente brasileiro falou sobre a saúde de Fidel, mas não comentou o encontro. Lula disse que teria falado
apenas meia hora e Fidel, duas horas. Os dois haviam se encontrado
pela última vez em julho de 2006, durante Cúpula do
Mercosul e Estados Associados, na cidade argentina de Córdoba,
um dia antes de Fidel ser hospitalizado.
Segundo o Granma, o líder cubano falou com Lula sobre suas preocupações com a situação econômica dos Estados Unidos e seus reflexos no resto do
mundo. “Se somares as reservas em dólares da Europa e do
resto do mundo, verás que equivalem a uma montanha de
dinheiro, cujo valor depende do que faça o governo de um país.
[Alan] Greenspan, que foi durante mais de 15 anos presidente do Banco
Central [dos Estados Unidos, o Fed] , morreria de pânico perante uma situação
como a atual”, disse Fidel a Lula.
“A quanto pode chegar a
inflação dos Estados Unidos? Quantos novos empregos
pode criar esse país neste ano? Até quando vai
funcionar sua máquina de imprimir notas, antes que se produza o
colapso da sua economia, além de usar a guerra para conquistar
os recursos naturais de outras nações?”, indagou o
líder cubano nos artigos publicados pelo jornal.
Fidel revela que também
falou com Lula sobre a “política aventureira” de George W.
Bush no Oriente Médio. E que prometeu repassar ao presidente
brasileiro um artigo de Paul Kennedy – na avaliação
do líder cubano, um dos intelectuais mais influentes dos
Estados Unidos – sobre a interligação entre os preços
do petróleo e dos alimentos.
No mesmo artigo, Fidel
conta que, ao rever Lula, lembrou da primeira vez visita deste a seu país – em 1985, para participar de uma reunião
convocada por Cuba para analisar o problema da dívida externa.
O tema voltou a ser discutido no encontro deste mês.
“Lula me explica a diferença com aquele ano. Afirma que hoje
o Brasil não tem dívida nenhuma com o Fundo Monetário
[Internacional, o FMI] e o Clube de Paris e dispõe de US$ 190 bilhões nas suas
reservas. Deduzi que seu país tinha pago emornes somas para
cupir com aquelas instituições”, relata Fidel.
O
assunto evoluiu para a desvalorização do dólar.
“Ninguém deseja que o dólar se desvalorize mais
porque quase todos os países acumulam dólares”, disse o líder cubano ao presidente brasileiro.
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