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Brasília - Se o governo federal
não realizar, até o fim do mês de março, uma
operação para retirar os produtores de arroz da terra
indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, os índios da
região estão prontos para expulsar os fazendeiros de
suas terras. Foi o que garantiu hoje (29) à Agência
Brasil o coordenador geral do
Conselho Indígena de Roraima (CIR), Dionito José de
Souza.
“Já estamos
cansados de sofrer violência, ameaça e abuso dentro da
nossa própria casa. Isso a gente não aceita mais.
Esperamos só até março, e se não
ocorrer [a operação de desintrusão], vamos ter que
fazer o trabalho que o governo prometeu”, afirmou Souza.
Segundo o líder
indígena, a resistência de rizicultores e fazendeiros
em deixar a Raposa Serra do Sol é um desrespeito à
decisão do governo brasileiro e aos povos indígenas.
Cerca de 18 mil índios das etnias Ingaricó, Macuxi,
Patamona, Taurepang e Wapixana ocupam a área. “Os brancos
dizem que somos invasores, mas ninguém invade sua própria
terra”, disse Souza.
O coordenador do CIR
informou que se encontrou recentemente com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do
governo federal em Roraima, quando lhe foi dito que a operação
de desintrusão está prevista e vai sair. Entretanto, acrescentou Souza, a data da medida não foi informada.
Dionito de Souza confirmou que o
CIR formalizou reclamação na Organização das Nações
Unidas (ONU) sobre a demora do governo
brasileiro em cumprir a promessa de retirar os arrozeiros da Raposa
Serra do Sol: “Fizemos isso para que saibam que estão
brincando com a lei no Brasil.”
De acordo com Souza, a produção
de alimentos para a população de Roraima não
seria prejudicada com a mudança de local dos arrozeiros. “Eles [os arrozeiros] estão perdendo tempo.
Já deveriam ter ido para onde o Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] quer reassentá-los,
em áreas até maiores do que as de hoje.”
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