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Brasília - Não há
possibilidade de grandes produtores agrícolas entrarem em
acordo com o governo federal para deixar a Terra Indígena
Raposa Serra do Sol, área de 1,7 milhão de hectares em
Roraima. A afirmação foi feita hoje (29) pelo
presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima,
Paulo César Quartiero. Em entrevista à Agência
Brasil, ele disse não acreditar na realização
de uma operação para retirar os produtores à
força.
“Isso já é
um assunto superado porque não tem condição de
ser efetivada uma operação dessa. A população
de Roraima não aceita o intervencionismo do governo federal
com medidas antidemocráticas e ditatoriais”, disse
Quartiero.
A homologação
da terra indígena, em abril de 2005, é definida pelo
arrozeiro como “medida fraudulenta”. Ele ressalta que a
atividade agrícola gera R$ 130 milhões de
faturamento bruto por ano e fortalece a economia do estado.
Quartiero desqualificou
as declarações do coordenador
executivo do Comitê Gestor do governo federal em Roraima,
José Nagib Lima, para quem a retirada dos arrozeiros da Raposa
Serra do Sol é prioridade.
“Parece até que não
tem governo estadual nem representante eleito aqui”, criticou o
arrozeiro.
“O senhor Nagib só vai para a imprensa mentir à
população e acredito que faça o mesmo ao
presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva], passando uma imagem diferente da realidade que
acontece em Roraima.”
Os reassentamentos
propostos pelo governo federal aos arrozeiros são, segundo
Quartiero, “campos de extermínio da população”.
O produtor também enxerga a influência de interesses
estrangeiros nos argumentos de ambientalistas e índios que
cobram a retirada dos produtores da Raposa Serra do Sol. Para ele, a classe produtora é vítima de perseguição. "Já nos chamam de grileiros, de devastadores e é tudo
isso mentira. Daqui a pouco vão dizer que usamos trabalho
escravo ou que estupramos não sei quem.”
Quartiero também negou
que todos os seus bens tenham sido bloqueados pela Justiça em
razão de irregularidades que teria cometido na prefeitura de Pacaraima (RR), de onde saiu cassado por compra de votos. Admitiu apenas
o bloqueio de R$ 21 mil, contra o que já recorreu.
Quartiero ironizou as acusações de corrupção.
“Me acusam de ter roubado travesseiro, colchão, mesa e
cadeira. Graças a Deus a prefeitura não tinha
galinheiro, porque senão iam dizer que roubei as galinhas.”
O líder
arrozeiro reiterou não abrir mão da permanência
na terra indígena. “Nós representamos a resistência
de Roraima e a defesa do território nacional na Amazônia.”
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