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Brasília - O secretário executivo da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Josenir Nascimento, afirmou
que o órgão pretende atender à demanda do
Vale do Javari (AM) com a compra de medicamentos e equipamentos médicos
e de transporte. Para Nascimento, é necessário criar uma
estrutura permanente de atendimento a esses povos, tanto na parte de
infra-estrutura como na de capacitação, e disse acreditar
que agora isso será possível.
“É uma decisão
de governo resolver o problema do Javari. Recebemos da secretária executiva da Casa Civil,
Erenice Guerra, a
determinação de agir na região em regime de
urgência urgentíssima.”
A Funasa prepara cursos para capacitar os agentes indígenas de saúde com o objetivo de manter um estrito
controle da situação de contaminação e
tratamento da população, com dados atualizados. A
proposta é criar um sistema único de informação
com acesso público, dando transparência e aumentando a
eficiência das ações realizadas na Terra
Indígena.
Para o secretário executivo da Funasa, resolver os problemas vividos pelos
povos indígenas do Javari é saldar uma dívida
histórica. Antes do contato, esses povos viviam longe das
margens dos rios para onde foram atraídos pela Frente de Povos
Isolados da Fundação Nacional do Índio (Funai). Na beira dos rios, passaram a ter contato com
não-índios que levaram até eles doenças
como a hepatite, a gripe e a tuberculose.
A construção
das aldeias nos barrancos, proposta à época pela Funai,
para facilitar a aproximação com esses povos, é
responsável também pelo aumento de casos da malária
entre os indígenas. O protozoário causador da doença é
transmitido pelo mosquito anophelino, que se reproduz nessas áreas.
Hoje o Javari vive uma epidemia de malária (vivax e
falciparum) com números impressionantes.
“Numa determinada
comunidade onde vivem 26 pessoas os números apontam 99 casos
da doença no período entre março de 2007 e
janeiro de 2008. São 3 malárias em média por
pessoa, num espaço de tempo menor que um ano. Outra enorme
preocupação para nós é a contaminação
vertical que tem se dado, com bebês nascendo com o vírus
da hepatite B, o que vai comprometer todo seu desenvolvimento. Já
passou da hora de resolvermos essa situação. Nós
não podíamos ter errado como erramos”, concluiu.
Representantes da Funai, Funasa, do governo do estado do Amazonas, médicos, enfermeiros e técnicos que
atuam na região se reuniram ontem (28) em Brasília
para elaborar as propostas a serem levadas a representantes do
Ministério da Defesa, da Casa Civil e das Forças
Armadas. O grupo definiu que será criado um comitê gestor para a coordenação da operação,
cujos membros serão definidos em reunião no Ministério da Defesa.
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