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Bruxelas (Bélgica) - O bife brasileiro vai
ser provisoriamente banido dos pratos portugueses e europeus, depois
da suspensão pela União Européia (UE) das
importações de carne bovina do Brasil, anunciada em
Bruxelas.
A UE decidiu suspender a partir de amanhã
(31) a importação de carne devido à
insuficiência de garantias sanitárias e de qualidade
dadas pelo maior país sul-americano, anunciou fonte oficial na
capital belga.
Brasília tinha sido avisada em dezembro
de 2007 de que, a partir de 31 de janeiro deste ano, a importação
de carne bovina seria suspensa, caso não fosse exclusivamente
proveniente de pastos selecionados que respeitassem as regras
sanitárias em vigor na UE.
As autoridades brasileiras
propuseram um conjunto de 2.600 propriedades, que não foram
aceitas pelas instâncias comunitárias, de acordo com o
comissário europeu para a Saúde, Markos Kyprianou.
A
mesma fonte precisou que a suspensão das importações
é temporária, mas, para ser levantada, cada uma das
propriedades constantes da lista das autoridades brasileiras terá
de ser alvo de uma cuidadosa inspeção e verificação
da documentação legal.
Em novembro de 2007,
veterinários europeus que visitaram o Brasil identificaram
“várias deficiências graves nos sistemas de
verificação e nas condições sanitárias”,
especificamente em três estados brasileiros atingidos por um
surto de febre aftosa.
Um princípio defendido pela
União Européia é de que os animais têm de
fazer uma quarentena antes de ser abatidos.
Os animais oriundos
de certas explorações deverão cumprir uma
quarentena de 90 dias num território aprovado pela UE, a que
se soma um outro período de 40 dias na exploração
antes do abate, num total de 130 dias.
A listagem das
explorações será estabelecida com base na
informação fornecida pelas autoridades brasileiras
competentes e a UE reserva-se o direito de fazer inspeções,
através dos seus serviços veterinários.
O
Brasil é o primeiro exportador mundial de carne bovina, com
2,3 milhões de toneladas por ano (US$ 4,5 bilhões em
2007), um terço do total mundial. Mas o conflito com a UE já
se arrasta há dois anos, depois de o alarme ter sido dado pelo
Reino Unido e pela Irlanda.
O britânico Neil Parish,
presidente da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu,
que anda há pelo menos um ano e meio empenhado na suspensão
da importação de carne bovina brasileira, precisamente
devido ao surto de febre aftosa, saudou a decisão comunitária,
que classificou de "sinal dado ao governo" de Luiz Inácio
Lula da Silva.
Padraig Walshe, presidente da Federação
dos Agricultores Irlandeses (IFA), condenou as autoridades
brasileiras por terem feito "ouvidos de mercador" à
UE.
E concluiu que "o Brasil não está à
altura de controlar o surto de febre aftosa, os movimentos dos
animais e a sua verificação, nem de cumprir os
necessários requisitos sanitários".
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