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30 de Janeiro de 2008 - 18h09 - Última modificação em 30 de Janeiro de 2008 - 19h12


Antropóloga defende fim de blocos com cordas no carnaval de Salvador

Hugo Costa
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Fabio Pozzebom/ABr
Salvador (BA) - Antropóloga Goli Guerreiro fala à Agencia Brasil sobre a participação popular no carnaval da capital baiana Salvador (BA) - Antropóloga Goli Guerreiro fala à Agencia Brasil sobre a participação popular no carnaval da capital baiana
Salvador - O comércio excessivo e o isolamento dos foliões nos trios elétricos no carnaval de Salvador foram criticados pela antropóloga Goli Guerreiro, estudiosa das manifestações populares. Ela defende o fim da divisão entre os blocos pagos nas ruas e a concentração popular que acompanha os trios elétricos fora da cordas, a denominada “pipoca”.

“Realmente a questão da cordas no espaço público tem que ser discutida porque é a ocupação de um espaço que não poderia ser isolado. O folião fica imprensado, sim. Sou a favor de derrubar as cordas. Deixa o camarote para quem não agüenta o corpo-a-corpo na rua e libera a rua, porque o espaço é nosso”, argumenta.

Para Goli, é preciso haver harmonia na divisão dos espaços públicos. Segundo ela, a restrição das grandes massas inviabilizaria a festa.

“O carnaval é um espaço muito grande. Existem várias maneiras de curtir e fazer o carnaval. Existe sim uma industrialização e comercialização, mas tem sempre o espaço do popular. A hora que esse espaço desaparecer, acaba o carnaval”.

Apesar das considerações da antropóloga, a Secretaria de Cultura do Estado Bahia garante que 84% dos foliões festejam o carnaval de Salvador fora das áreas privadas.

De acordo com levantamentos locais, entre os participantes de blocos e entidades carnavalescas, 28,7% gastam mais de R$ 500 para garantir um abadá (camisa estampada que identifica o participante de cada bloco). Nas áreas pagas de maior concentração popular, o valor médio da entrada é de R$ 160. Entre os participantes da festa, 43,5% optam pelos espaços que cobram entre R$ 50 e R$ 500.

A abertura oficial do carnaval na capital baiana está prevista para esta quinta-feira (31). No ano passado, segundo dados oficiais, 900 mil pessoas participaram da festa. A Secretaria de Cultura estima que os seis dias de folia tenham movimentado diretamente cerca de R$ 300 milhões. Desse total, R$ 5,8 milhões foram arrecadados pelos cofres da Prefeitura de Salvador.


 


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