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4 de Fevereiro de 2008 - 18h03 - Última modificação em 4 de Fevereiro de 2008 - 19h21


Pesquisadoras alertam para risco de extração tradicional do óleo de andiroba acabar

Ana Paula Michnik
Da Rádio Nacional da Amazônia

 
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Brasília - A extração tradicional de óleo de andiroba, feita por comunidades extrativistas de municípios do interior do Amazonas, pode acabar. É que o conhecimento sobre o processo, que passava de pai para filho, está sendo abandonado pelos jovens. Para estudar o fenômeno e chegar a essa conclusão, duas pesquisadoras do Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia (Inpa) analisaram as comunidades por 16 anos.

As pesquisadoras Isolde Ferraz e Andreza Mendonça aplicaram questionários e observaram todo o processo de produção, da colheita até a extração do óleo da amêndoa.

A andiroba é uma árvore de grande porte nativa da Amazônia, que chega a atingir 30 metros de altura. Ela floresce de agosto a outubro e frutifica de janeiro a maio.

O óleo é utilizado para a produção de repelente de insetos, anti-séticos e antiinflamatórios. Popularmente, é utilizado para contusões, inchaços, reumatismos e cicatrizações. A indústria cosmética utiliza a matéria prima para a produção de sabonetes, xampus e cremes. O óleo também é usado pelos amazônidas como remédio contra a calvície.

O processo tradicional é demorado, cerca de dois meses. Pode ser dividido em três etapas. Na primeira, é feita a coleta, a seleção de sementes e um primeiro armazenamento. Na segunda, a massa é preparada pelo cozimento das sementes em água, que novamente é armazenada. Depois, a casaca é retirada e é feito um tipo de massa com as amêndoas. Na terceira e ultima etapa, a extração do óleo é feita pelo gotejamento da massa.

"Existe uma perda desse conhecimento”, diz Andreza Mendonça. “Se olharmos pelo lado prático da extração, ele é um processo longo e demorado, e os jovens hoje, com as mudanças sociais, não querem mais ter esse trabalho com a extração". Ela aponta, como um complicador, o fato de esse conhecimento ser transmitido por meio da oralidade. Por isso, não há registro escrito de como o processo é feito, o que, com o tempo, causa algumas mudanças na forma de produção do óleo.

Um livreto foi lançado em 2006 pela Editora Inpa com a intenção de manter o processo de extração do óleo de andiroba da forma tradicional. O livreto custa R$ 5 e está disponível no site da editora.



 


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