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Brasília - A extração
tradicional de óleo de andiroba, feita por comunidades
extrativistas de municípios do interior do Amazonas, pode
acabar. É que o conhecimento sobre o processo, que passava de
pai para filho, está sendo abandonado pelos jovens. Para
estudar o fenômeno e chegar a essa conclusão, duas
pesquisadoras do Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia
(Inpa) analisaram as comunidades por 16 anos.
As
pesquisadoras Isolde Ferraz e Andreza Mendonça aplicaram
questionários e observaram todo o processo de produção,
da colheita até a extração do óleo da
amêndoa.
A andiroba é uma árvore de grande
porte nativa da Amazônia, que chega a atingir 30 metros de
altura. Ela floresce de agosto a outubro e frutifica de janeiro a
maio.
O óleo é utilizado para a produção
de repelente de insetos, anti-séticos e antiinflamatórios.
Popularmente, é utilizado para contusões, inchaços,
reumatismos e cicatrizações. A indústria
cosmética utiliza a matéria prima para a produção
de sabonetes, xampus e cremes. O óleo também é
usado pelos amazônidas como remédio contra a
calvície.
O processo tradicional é demorado,
cerca de dois meses. Pode ser dividido em três etapas. Na
primeira, é feita a coleta, a seleção de
sementes e um primeiro armazenamento. Na segunda, a massa é
preparada pelo cozimento das sementes em água, que novamente é
armazenada. Depois, a casaca é retirada e é feito um
tipo de massa com as amêndoas. Na terceira e ultima etapa, a
extração do óleo é feita pelo gotejamento
da massa.
"Existe uma perda desse conhecimento”, diz
Andreza Mendonça. “Se olharmos pelo lado prático da
extração, ele é um processo longo e demorado, e
os jovens hoje, com as mudanças sociais, não querem
mais ter esse trabalho com a extração". Ela
aponta, como um complicador, o fato de esse conhecimento ser
transmitido por meio da oralidade. Por isso, não há
registro escrito de como o processo é feito, o que, com o
tempo, causa algumas mudanças na forma de produção
do óleo.
Um livreto foi lançado em 2006 pela
Editora Inpa com a intenção de manter o processo de
extração do óleo de andiroba da forma
tradicional. O livreto custa R$ 5 e está disponível no
site da editora.
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