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31 de Janeiro de 2008 - 13h51 -
Última modificação
em 31 de Janeiro de 2008 - 17h35
Ocupação das ruas durante o carnaval é prejudicial para Salvador, afirma urbanista
Hugo Costa
Enviado especial
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Fabio Pozzebom/ABr
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Salvador (BA) - Armação dos camarotes no circuito Barra-Ondina para a festa do carnaval que começa amanhã
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Salvador - A ocupação de áreas públicas
durante o carnaval de Salvador é prejudicial para cidade. A afirmação é do professor de urbanismo da Universidade Federal da Bahia
(UFBA), Luiz Antônio de Souza. Segundo ele, os benefícios econômicos
obtidos com a festa não compensam os transtornos
causados nos locais por onde passam os trios elétricos.
“Para a sociedade, eu não consigo
encontrar um balanço positivo do carnaval. Você monta
uma cidade sobre outra cidade para a realização da festa.
Postos policiais e médicos e de informação são
montados´, e isso custa muito dinheiro. Por outro lado, a cidade fica
pelo avesso. Áreas de vegetação, e mesmo as
pavimentadas, são destruídas”, afirmou Souza.
Na opinião do professor, outro aspecto negativo é a falta de
condições adequadas em casos emergenciais. Para ele, que participou há seis anos de um grupo de estudos
sobre os impactos da festa, a população é
submetida a riscos desnecessários no carnaval de rua.
“A possibilidade de fuga da população
em situações de emergência ou de pânico é
bloqueada pelos equipamentos [camarotes e outras instalações
provisórias]. No fundo, a festa é planejada do
ponto de vista da economia, mas não se planeja do ponto de
vista do território. Acabam-se criando situações
que são verdadeiras contradições. O espaço
público é ocupado como não poderia ser em
detrimento das condições de circulação e
segurança da população.”
Sem detalhar as providências para minimizar
os perigos e a má utilização das vias públicas, o urbanista disse que considera fundamental a interferência
do poder público. “Para isso melhorar, deveriam ser tomadas
medidas drásticas que acabem por reduzir as possibilidades de
se mercantilizarem os espaços”.
Para Souza, nem mesmo a criação de empregos
durante a festa pode ser avaliada sem restrições, já que os postos de trabalho não são
preenchidos definitivamente após o carnaval. “Há a idéia de que se geram
empregos, mas todos são empregos temporários.
Normalmente são empregos arriscados e mal pagos, como é
o caso dos cordeiros [responsáveis por isolar os blocos
pagos por meio de cordas]. Eu diria que ganha de fato é
quem monta as estruturas de camarote que não são feitas
para atender a população.”
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