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31 de Janeiro de 2008 - 17h25 - Última modificação em 31 de Janeiro de 2008 - 17h25


Assassinato de deputado faz ex-secretário da ONU suspender negociação no Quênia

Marco Antônio Soalheiro*
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kofi Annan suspendeu na tarde de hoje (31), após o assassinato de um deputado no Vale do Rift, no Quênia, as negociações que mediava entre representantes do governo e da oposição.

“Adiamos a sessão desta tarde e trabalharemos todo o dia de amanhã para que os intervenientes possam ocupar-se de assuntos urgentes”, declarou Annan aos jornalistas.

De acordo com o chefe da polícia nacional, Hussein Ali, o deputado David Kimutai do Movimento Democrático Laranja (ODM) foi morto hoje (31) por um policial de trânsito quando viajava de Nairobi para o Vale do Rift.

Ali afirmou que o policial  agressor, que já foi detido, matou Kimutai por causa de uma disputa amorosa: o policial teria surpreendido sua namorada saindo de um hotel com o deputado. A oposição acredita que o crime teve motivação política.

Kimutai é o segundo deputado do ODM a ser assassinado desde a última segunda-feira (28), dia em que o deputado Mugabe Were foi morto a tiros na porta de casa. O líder da oposição queniana, Raila Odinga, declarou que este segundo assassinato "faz parte de um complô para reduzir o número de deputados [da oposição] no parlamento". A oposição obteve 99 cadeiras em um total de 210.

Em Nairobi, representantes do governo e da oposição tinham começado hoje uma série de consultas diretas para encontrar uma saída para a crise instalada no país, desde o fim de dezembro do ano passado, com a vitória do presidente Mwai Kibaki nas eleições presidenciais. O resultado é contestado pelo ODM e pelo líder da oposição, Raila Odinga. A violência já causou cerca de mil mortes no país.

Reunião a portas fechadas teve início na manhã de hoje (31) com delegados das duas partes e a mediação do ex-secretário geral da ONU Kofi Annan, que tinha anunciado esta semana o início destas negociações. Nesta fase não está prevista a presença de Kibaki nem de Odinga que participaram do lançamento oficial das conversações.

O presidente Kibaki esteve nas últimas horas em Adis Abeba, na Etiópia, para participar de encontro semestral da União Africana, que também deverá analisar a crise política do Quênia. Até dezembro de 2007, o Quênia era conhecido como uma ilha de estabilidade numa África Oriental atingida por diversos conflitos.



* Com informações das agências Lusa e Telam
 


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