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Brasília - O ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kofi Annan suspendeu
na tarde de hoje (31), após o assassinato de um deputado no
Vale do Rift, no Quênia, as negociações que mediava entre
representantes do governo e da oposição.
“Adiamos a sessão desta tarde e trabalharemos todo o dia de
amanhã para que os intervenientes possam ocupar-se de
assuntos urgentes”, declarou Annan aos jornalistas.
De
acordo com o chefe da polícia nacional, Hussein Ali, o deputado David Kimutai do
Movimento Democrático Laranja (ODM) foi morto hoje (31) por um
policial de trânsito quando viajava de Nairobi para o Vale do
Rift.
Ali afirmou que o policial agressor, que já foi detido, matou Kimutai por causa de uma disputa amorosa: o policial teria surpreendido sua namorada saindo de um hotel com o deputado. A oposição acredita que o crime teve motivação política.
Kimutai é o segundo deputado do ODM a ser assassinado
desde a última segunda-feira (28), dia em que o deputado Mugabe Were foi morto a tiros na
porta de casa. O líder da oposição
queniana, Raila Odinga, declarou que este segundo assassinato "faz parte de um complô para reduzir o número de deputados [da oposição] no parlamento". A oposição obteve 99 cadeiras em um total de 210.
Em Nairobi, representantes do governo e da
oposição tinham começado hoje uma
série de consultas diretas para encontrar uma saída
para a crise instalada no país, desde o fim de dezembro do ano passado, com a vitória do presidente Mwai
Kibaki nas eleições presidenciais. O resultado é
contestado pelo ODM e pelo líder da oposição,
Raila Odinga. A violência já causou cerca de mil mortes no
país.
Reunião a portas fechadas teve início
na manhã de hoje (31) com delegados das duas partes e a
mediação do ex-secretário geral da ONU Kofi
Annan, que tinha anunciado esta semana o início destas
negociações. Nesta fase não está prevista
a presença de Kibaki nem de Odinga que participaram do
lançamento oficial das conversações.
O presidente Kibaki
esteve nas últimas horas em Adis Abeba, na Etiópia, para participar de
encontro semestral da União Africana, que também deverá
analisar a crise política do Quênia. Até dezembro de 2007, o Quênia era conhecido como uma ilha de
estabilidade numa África Oriental atingida por diversos
conflitos.
* Com informações das agências Lusa e Telam
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