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Brasília - A aprovação
da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
438/01, que determina a expropriação de terras onde for
constatada exploração de trabalhadores em condições
análogas às de escravidão, poderá
contribuir para a redução desse tipo de crime no país.
A avaliação é do coordenador do Grupo Especial
de Fiscalização Móvel do Ministério do
Trabalho, Marcelo Campos, que diz que o governo vai se mobilizar para
conseguir a maioria necessária à aprovação
da proposta ainda neste ano.
De acordo com Campos, a PEC ainda
não foi aprovada em definitivo porque existe um lobby
muito forte da bancada ruralista no Congresso Nacional. “A questão
do trabalho escravo é uma questão de maximizar lucros.
Vai ser preferível para eles [fazendeiros] garantir os
direitos e pagar do que perder a terra. É uma questão
de lógica”, disse ele. A proposta já foi aprovada no
Senado e em primeiro turno na Câmara dos Deputados.
Além de aprovar o projeto no
Congresso, o governo pretende aumentar o número de operações
para combater a mão-de-obra escrava. No ano passado, o Grupo
Especial de Fiscalização Móvel bateu o recorde
de operações desde 1995. Foram 114 operações
de combate ao trabalho escravo, com a libertação,
também recorde, de 5.963 trabalhadores. Para o coordenador, os
números positivos são resultado do Plano Nacional de
Erradicação do Trabalho Escravo, lançado em
2003.
“O crescimento, em volume, deste
número representa o compromisso do governo de estar presente,
reprimindo o crime. E, se você está presente em um maior
número de vezes nos locais e fiscalizando mais propriedades, a
conseqüência é conseguir atender maior número
de vítimas e libertar mais trabalhadores”, afirmou.
Segundo Campos, independentemente da
atividade econômica dos empregadores, os trabalhadores nesses casos são
encontrados em total informalidade na contratação e com todos os direitos trabalhistas negados, sem condições de saúde e de segurança.
“Normalmente, estão em pior condição
que os animais criados pelos fazendeiros. O boi é muito mais
bem tratado que o trabalhador.”
Quando os trabalhadores são
encontrados em condições semelhantes às de
escravidão, eles são retirados do local e inseridos no
benefício do seguro-desemprego. Os empregadores são
obrigados a pagar todos os direitos trabalhistas. “Eles [os
trabalhadores libertados] saem de lá com os direitos
garantidos”, diz Marcelo Campos.
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