Desde o amanhecer do dia, milhares de pessoas tomaram as ruas do bairro Rio Vermelho, para celebrar o dia de Iemanjá. Além dos moradores da capital baiana, vários turistas, muitos deles estrangeiros, foram hoje (2) prestar culto à entidade, considerada a rainha dos mares e oceanos por adeptos de religiões originadas na África.

A praia do bairro tornou-se palco de uma mistura de cores e cheiros. Os devotos levaram flores e perfumes para serem lançados ao mar em gratidão pelas graças recebidas. Logo de manhã, filas eram formadas na areia para pedidos de proteção aos líderes religiosos que participavam da celebração.

Fiel ao candomblé desde criança, a mãe-de-santo Nair Gusmão da Silva comparece à festa de Iemanjá todos anos. Para Nair, Iemanjá é uma matriarca poderosa. “Ela é a mãe poderosa da gente. Ela faz muito. Nós temos que ter fé desde que nascemos. Já nasci nessa fé. É Deus no céus e ela aqui nessa água.”

As manifestações de fé mostravam o sincretismo religioso presente na Bahia. Batizada no catolicismo, Milena Pereira participou da festa de Iemanjá pela primeira vez. “Estou achando a festa muito bonita. Nunca tinha vindo até aqui, mas minha intenção é conhecer a festa. Vim curtir o carnaval e aproveitei para ver a festa de Iemanjá”.

Vinda do Rio Grande do Norte, a kardecista Maiara Gurgel também mostrou depositar sua fé em outras crenças religiosas. “Sou devota de Oxum e gosto muito dessa questão da cultura e tudo mais. Gosto demais dessa religiosidade aqui de Salvador.”

Vários estrangeiros também estavam na festa. A israelense Tilly Green veio com um grupo de seu país natal e se mostrou impressionada com o que viu na Bahia. “É muito bonito. Estou muito impressionada com a festa. Acho muito importante ver que pessoas de diversas religiões estão juntas.”

A festa de Iemanjá é celebrada anualmente no dia 2 de fevereiro. Normalmente, a data ocorre antes do carnaval, que muda de data conforme as variações do início do período da quaresma. Além dos atos de fé na praia, vários palcos para apresentações de música e dança foram montados no Rio Vermelho para a comemoração do dia dedicado à entidade de origem africana.