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4 de Fevereiro de 2008 - 09h23 - Última modificação em 4 de Fevereiro de 2008 - 12h00


Sem restrição de credo ou cor, Filhos de Gandhy abrem portas para novos integrantes

Hugo Costa
Repórter da Agência Brasil

 
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Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Salvador (BA) - Famílias começam a chegar ao Pelourinho, centro histórico da capital baiana, para assisitir ao desfile do afoxé Filhos de Gandhy
Salvador (BA) - Famílias começam a chegar ao Pelourinho, centro histórico da capital baiana, para assisitir ao desfile do afoxé Filhos de Gandhy
Salvador (BA) - Mesmo com as tradições que ditam as regras do afoxé Filhos de Gandhy, o bloco não se limita aos descendentes dos fundadores. Com o passar dos anos, o acesso à instituição foi facilitado, embora só seja permitido o acesso a homens. O desfile de carnaval com pessoas de origens distintas é um exemplo dessa popularização.

“Antes, eram necessários alguns detalhes para fazer parte do Filhos de Gandhy. Era preciso ser indicado por um membro que tivesse incluído no mínimo há cinco anos e era feita uma avaliação. Hoje está tudo muito democrático, aberto e flexível. Nós temos associados do mundo inteiro”, garantiu o relações públicas do grupo, Valdemar José de Souza.

Apesar da democratização anunciada, os kits com a paramentação exigida para acompanhar o grupo no carnaval são vendidos por valores que podem passar dos R$ 400. A bolsa com o material comercializado contém um par de sandálias e meias, uma espécie de bata, faixas e toalha.

A expansão do bloco abriu as portas para turistas. Vindo do Rio Grande do Sul, o estudante Ariel Zandwais disse ter recebido recomendações de amigos para participar com o Filhos de Gandhy nas avenidas de Salvador.

“Tenho alguns amigos baianos e todos disseram que esse é o melhor bloco e o mais divertido. Vim pela questão cultural e também para conhecer os hábitos e os costumes da população local. Acho que o Filhos de Gandhy é realmente uma das manifestações culturais mais fortes de Salvador”.

O rapaz de pele clara afirma não ter sofrido nenhuma discriminação por parte dos afro-descendentes, que são maioria no bloco. Segundo Zandwais, que pagou R$ 300 pelas vestimentas alegóricas, a recepção foi melhor do que esperava.

“Ninguém me olhou torto por aqui. Muitas pessoas acham até que eu sou estrangeiro. Não tem muita gente da minha cor aqui em Salvador, mas todo mundo é muito amigável. O clima de receptividade é realmente excelente”.

Segundo afirmam os organizadores, o Filhos de Gandhy hoje é o maior afoxé do país. No quadro social da instituição estão registrados cerca de 20 mil integrantes. A última aparição do grupo no carnaval de Salvador deste ano está prevista para terça-feira (5), às 14h, no centro histórico da cidade.

 


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