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4 de Fevereiro de 2008 - 09h07 -
Última modificação
em 4 de Fevereiro de 2008 - 11h58
Filhos de Gandhy levam fé e cultura às ruas de Salvador
Hugo Costa
Repórter da Agência Brasil
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Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Salvador (BA) - Foliões começam a chegar ao Pelourinho, centro histórico da capital baiana, para assisitir ao desfile do afoxé Filhos de Gandhy
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Salvador - Com turbantes e roupas
brancas com detalhes azuis, os integrantes do afoxé Filhos de
Gandhy são figuras marcantes do Pelourinho.
Na Rua Gregório
de Matos, onde fica a sede do bloco, homens sentam nas calçadas para receber a paramentação
necessária ao desfile. Mais do que uma manifestação
festiva, a intenção anunciada pelo grupo é
propagar a fé e a cultura negra no carnaval de Salvador.
De forma sintética,
Valdemar José de Souza, o tio Souza, relações
públicas do grupo, define o significado de afoxé,
nome que diferencia o Filhos de Gandhy de outros
blocos carnavalescos afro-brasileiros. “O afoxé é o
candomblé no asfalto”, explicou. “É como se fosse a
procissão, que é uma missa em movimento”.
Desde sua fundação
em 1949, o Filhos de Gandhy tem mantido suas tradições.
Apenas homens integram o bloco que, em seu nome, homenageia o líder
indiano Mahatma Gandhi.
“No primeiro ano,
eles [os fundadores do bloco] não permitiram que as mulheres
ligadas a eles saíssem para que não houvesse nenhuma
divergência. Não era permitida a participação
das mulheres e também combinaram que não deveriam
beber”, informou tio Souza.
Com o tempo, as influências do afoxé têm se
perpetuado nas famílias participantes do bloco. Muitos dos
integrantes fazem parte do Filhos de Gandhy desde criança, a
pedido dos pais.
“Faço parte e
venho para o Filhos de Gandhy há mais de dez anos. Venho
desde criança pela cultura e tradição negra. Meu
pai saía e eu vinha acompanhando e estou aí até
hoje”, disse o segurança Ailton Cerqueira>
Mesmo sem poder
participar com o afoxé na avenida, a cabelereira Bárbara
Ferreira também tomou gosto pelo bloco por influência
familiar. Há 14 anos, a baiana contribui para colocar na
cabeça dos homens os turbantes feitos de toalha.
“Minha mãe me
ensinou a técnica para preparar o Filhos de Gandhy. A tradição
passou de geração para geração”,
afirmou, após explicar que cada trabalho com as toalhas
demora entre 10 e 15 minutos.
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