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3 de Fevereiro de 2008 - 12h41 -
Última modificação
em 3 de Fevereiro de 2008 - 12h52
Homem da Meia-Noite leva população de Olinda às ruas durante a madrugada
Mariana Jungmann e Fernanda Isidoro
Enviadas especiais
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Antonio Cruz/ABr
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Olinda (PE) - Desfile do Homem da Meia-Noite arrasta milhares de foliões pelas ruas da cidade
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Olinda (PE) - A manifestação
mais popular de Olinda saiu pelas ruas da cidade na madrugada
passada. O Homem da Meia-Noite se apresentou vestido de roupa branca
e gravata verde e arrastou uma massa pelas ruas do centro histórico
da cidade.
Diferentemente da maior parte dos blocos de Olinda, o Homem da Meia-Noite reúne poucos turistas. Quem acompanhou o personagem de 11 metros de altura foi a população
local, muitas vezes de bairros periféricos.
“Eu aconselho o turista a
vir e olhar de longe, porque é muita gente e o povo brinca
pulando, se espremendo”, diz o olindense Severino João da
Silva, operador de carga em supermercado. Ele ressalta que não
tem medo de participar, mas diz que seus filhos de 13 e 15 anos não
se sentem seguros desacompanhados. “Sempre vou e levo meus filhos
comigo, perto de mim.”
Em alguns trechos, nas ruas mais apertadas, a
orquestra de frevo que acompanha o cortejo ficava impossibilitada de
tocar, os músicos só conseguiam andar se colocassem os
instrumentos para cima.
A aglomeração já obrigou o
Clube de Alegorias e Crítica Homem da Meia-Noite, que organiza
a saída do bloco, a mudar o percurso há alguns anos.
Numa das ruas por onde o bloco passava houve uma briga com centenas
de pessoas. Depois de quase atingirem e derrubarem o boneco gigante,
o clube resolveu evitar o trecho.
O Homem da Meia-Noite é um calunga, ou
seja, uma entidade mística do candomblé. Por isso, a
população local não gosta de tratá-lo
apenas como um boneco sem vida.
“Se você reparar bem na hora que ele sai,
sempre vai ver alguém em volta chorando, emocionado”, conta
o presidente do clube, Luiz Adolpho Alves e Silva.
Antes da saída, os mais velhos aguardavam
na porta de casa o momento da passagem do bloco. Nas fachadas foram
colados cartazes de felicitações ao aniversário
do senhor que já virou uma entidade e completou 76 anos no
Sábado de Zé Pereira – como é chamado o sábado
de carnaval em Pernambuco.
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