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4 de Fevereiro de 2008 - 21h10 - Última modificação em 4 de Fevereiro de 2008 - 21h09


Colombianos fazem protesto massivo contra as Farc

Julio Cruz Neto*
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Centenas de milhares de colombianos saíram às ruas em seu país e em mais 130 cidades do mundo num protesto contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), segundo a agência argentina Telam.

Na capital da Colômbia, Bogotá, manifestantes percorreram as ruas com cartazes em que se liam frases como “Chega de Farc”, “Chega de seqüestros”, “Chega de mortes” e “Chega de terrorismo”. Citando jornais locais e agências internacionais, a Telam qualifica o ato de hoje como a maior manifestação cívica da história da Colômbia.

Edificios e sacadas foram enfeitados com bandeiras brancas e colombianas, as mesmas empunhadas pelos manifestantes. Vários estabelecimentos comerciais, empresas e repartições públicas fecharam as portas pouco antes do meio-dia para permitir que os empregados participassem.

O governo de Álvaro Uribe e a oposição política e de setores críticos ao oficialismo buscaram capitalizar em seu favor o peso da manifestação.

As passeatas ocorrem dois dias após as Farc anunciarem a liberação, de forma unilateral, de mais três reféns, os políticos Gloria Polanco de Losada, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán Cuéllar.

Embora tivesse garantido que se manteria isento, o presidente Uribe manifestou apoio à marcha cidade de Valledupar, enquanto vários ministros saíram às ruas de Bogotá.

“Colômbia, o que acontece conosco é que gostamos muito de você”, disse Uribe em uma breve aparição. Ele afirmou que se deve atuar “com firmeza para derrotar os criminosos”.

Entusiasmado com a magnitude da marcha, o presidente agradeceu aos participantes e prometeu manter-se “firme até que os criminosos entendam que o solo da Colômbia jamais voltará a recebê-los”.

Cerca de 60 mil pessoas se reuniram na Plaza de Bolívar, onde entoaram o hino nacional e cânticos pela paz, numa cena acompanhada pelos meios de comunicação, que mostraram 770 cadeiras vazias, uma para cada seqüestrado em poder das Farc.

A Igreja Católica, através de um comunicado da Conferência Episcopal, tinha convidado “todos os colombianos a se unirem à mobilização nacional”.

O partido esquerdista Polo Democrático Alternativo (PDA) fez sua própria marcha na Plaza Bolívar, horas antes da chegada das primeiras colunas, sob o lema “Pelo acordo humanitário: não à guerra, não ao seqüestro”, manifestação prestigiada por grêmios sindicais.

Parentes dos seqüestrados se reuniram na Igreja do Voto Nacional, em vez de participar do protesto, por temor de represálias da guerrilha contra os reféns.

Astrid Betancourt, irmã de Ingrid, a ex-candidata presidencial colombiana seqüestrada pelas Farc, acusou o presidente Uribe de “manipular as marchas” convocadas para hoje e apresentá-las como sendo unicamente contra as Farc.

A irmã de Ingrid classificou o presidente como responsável por “atiçar a raiva, a cólera dos colombianos, sem propor nenhuma solução”, e de querer justificar o uso da força e da intervenção armada, e não do diálogo.

A manifestação teve origem a partir de uma idéia de um engenheiro civil de 33 anos, Oscar Morales, que propôs na rede social Facebook, na internet, um protesto contra as Farc, proposta que rapidamente se difundiu pela Colômbia e pelo mundo.

Segundo a Fundação País Livre, na Colômbia estão seqüestradas atualmente cerca de 3.200 pessoas, 770 delas nas mãos das Farc, 400 do Exército de Libertação Nacional (ELN), 250 dos paramilitares e o restante de outros grupos.

*Com informações da Agência Telam

 


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