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4 de Fevereiro de 2008 - 17h01 - Última modificação em 4 de Fevereiro de 2008 - 17h01


Irreverência do Mudança do Garcia anima Salvador desde a década de 40

Hugo Costa
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Salvador - Desde cedo, milhares de pessoas acompanham nas ruas da cidade a saída do tradicional Mudança do Garcia. Os participantes do bloco, fantasiados e levando cartazes e alegorias, são reconhecidos por manifestar sua insatisfação com bom humor e irreverência.

O bloco leva o nome do bairro onde o movimento de protestos teve início, na década de 40. É lá que os foliões se concentram e pela manhã alguns já chamavam a atenção por onde passavam. Ao som de marchinhas carnavalescas, um grupo de feministas dançava e exibia cartazes com frase como “Respeite o corpo da mulher! Não ao controle da Igreja e da mídia”.

Outra participante mostrava cartaz em que se lia “Homem que bate e mulher já tem uma senha: Lei Maria da Penha”, em referência à lei que tornou mais rígidos os procedimentos para penalizar os agressores de mulheres.

Uma das mais animadas do grupo, a socióloga Luiza Bairro disse que o carnaval é um momento propício para esse tipo de iniciativa.

“Nós estamos aproveitando essa oportunidade de trazer para a população a consciência de que vários tipos de violência ainda são realidade da mulher na Bahia. E isso precisa ser combatido. Sem dúvida alguma, o Mudança do Garcia é uma oportunidade para isso”, opinou.

Liderado por um movimento de aposentados, outro grupo explorou o bom humor em protesto contra as condições de postos de saúde e hospitais. Em uma espécie de cortejo fúnebre, um caixão era transportado em cima de um carro preto. Adesivos distribuídos pelo grupo traziam um trocadilho com a sigla SUS, do sistema de saúde pública: "Sistema Único de Suicídio".

“Hoje nós vemos os aposentados morrendo na fila dos hospitais. Antigamente, o INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] oferecia boa assistência médica, mas hoje não tem”, disse o aposentado Valmir Bastos, ao explicar o motivo do protesto.

Outros grupos protestavam contra o bloqueio de aparelhos de telefonia celular e faziam também sátiras a personagens de programas de televisão.

Ponto de partida para vários grupos participantes, a casa de Dona Zuzu é referência dos foliões de Salvador. Neste ano ela completa 101 anos e se disse orgulhosa do carinho recebido durante a festa popular.

“Sinto-me bem, sendo homenageada todos os anos. Antes o carnaval era melhor, porque tinha marchinhas, mas agora também está bom”, afirmou, animada.



 


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