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5 de Fevereiro de 2008 - 16h13 - Última modificação em 5 de Fevereiro de 2008 - 16h13


Para historiador, abadá baiano é símbolo de preconceito e segregação

Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - “Na Bahia, o abadá representa um determinado preconceito, uma afirmação de um segmento social mais elitizado”. A opinião é do historiador carioca André Diniz, secretário de Cultura de Niterói (RJ) e autor do Almanaque do Carnaval, publicado em janeiro deste ano pela editora Zahar.

Para Diniz, o abadá abafou a riqueza cultural do axé, que já representou a união entre grupos sociais distintos na Bahia, e hoje contribui para a segregação financeira e estética no carnaval.

Em entrevista hoje (5) à Rádio Nacional, o escritor disse que a segregação no carnaval baiano existia antes do axé, quando as pessoas de menos posses brincavam separadas dos que tinham melhor situação financeira. E que o surgimento do trio elétrico na década de 50, com Dodô e Osmar, foi um marco que conseguiu unificar a festa.

“Você tem um carro que vai arrastando todo mundo e todos podem brincar juntos. Esse é um marco de unificação muito forte e começa a ser exportado. Ele vai se unir aos estilos afro-descendentes da Bahia, aos tambores africanos, e faz surgir essa musicalidade muito rica que remonta ao samba do recôncavo baiano e é conhecida como axé”, contou o historiador.

Para Diniz, no entanto, embora marcado pela riqueza cultural e musical, o axé trouxe embutida, com o abadá, a segregação estética e financeira. Ele citou como exemplo o caso, narrado em seu livro, de uma moça que, mesmo tendo dinheiro para pagar o abadá, não pôde entrar em um trio elétrico porque não atendia a determinado padrão de beleza.

“Hoje na Bahia os únicos blocos em que se pode sair sem abadá são Os Filhos de Gandhy e o Ilê Ayê – o resto é tudo com abadá. Ou seja, a riqueza e a beleza do axé, que ganhou a mídia, a indústria de massa e tornou-se um produto do mercado, foi um pouco abafada por causa do abadá”, afirmou.






 


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