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10 de Fevereiro de 2008 - 18h57 - Última modificação em 10 de Fevereiro de 2008 - 18h57


Embrapa vai aprofundar pesquisas dos efeitos de mudanças climáticas em culturas tradicionais

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) além dos estudos já em fase mais avançada dos impactos do aquecimento global sobre a produção nacional de soja, milho e café também está em empenhada em traçar cenários para o arroz, o trigo e o feijão. A informação é do pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária Fábio Marinho, para quem o feijão desperta uma preocupação especial. “É uma cultura muito sensível à falta de água”, ressaltou em entrevista à Agência Brasil.

Em relação ao arroz, o cenário é menos grave pelo fato de boa parte da produção brasileira ser feita em áreas irrigadas, segundo o pesquisador. Seriam impactadas com mais força apenas áreas onde se produz arroz de sequeiro.

O especialista lembrou que as projeções não significam necessariamente cenários trágicos para os agricultores, mas representam um sinal para o planejamento de políticas públicas. 

“É um alerta importante de que nós precisamos pesquisar essas culturas e investir em melhoramento genético. Assim como como soja está saindo na frente [pesquisadores já desenvolvem um tipo de grão mais resistente ao clima seco] as outras culturas precisam de estudos e recursos para que os 'melhoristas' desenvolvam variedades mais aptas à nova condição”, expliocu Marinho. “Se nada for feito, podemos ter um impacto muito forte”, ressaltou.

Marinho destacou ainda que na condição de país tropical, o Brasil é muito dependente da agricultura . “O nosso PIB [Produto Interno Bruto], de 30% a 35% decorre do agronegócio. A gente precisa cuidar da galinha dos ovos de ouro do país”.

Apesar da Embrapa trabalhar no sentido de evitar a necessidade de agricultores futuramente terem que mudar de cultura, a hipótese não pode ser de todo descartada, ponderou Marinho. “Para o agricultor, trocar de cultura não é como trocar de casa ou de carro, mas isso pode acontecer. A gente tenta manter a cadeia, a geografia agrícola, mas eles podem vir a ser convidados a mudar”, alertou.



 


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