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Macapá (AP) - Uma ponte de quase
400 metros de extensão ligando o Brasil a um pedaço da
França, em plena floresta amazônica. Assim pode ser
descrita a obra de cerca de R$ 38,6 milhões, cuja pedra
fundamental foi lançada ontem (12) pelos presidentes Luiz
Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, da França.
Segundo a declaração conjunta assinada pelos
dois governantes, a ponte sobre o Rio Oiapoque, ligando a margem
brasileira à cidade de São Jorge do Oiapoque
(Saint-George de L´Oyapock), na Guiana Francesa – um
departamento ultramarino da França – visa a favorecer o
conhecimento mútuo entre os dois países.
Além
da ponte, a proposta conjunta é construir e melhorar as
estradas que ligam as capitais Macapá e Caiena, “trazendo
múltiplos benefícios para o desenvolvimento econômico
e social da região”, conforme prevê a declaração
conjunta, divulgada à imprensa durante o encontro de ontem
entre Lula e Sarkozy.
Hoje, a travessia de pessoas e o
transporte de mercadorias são feitos por barcos, principal via
de transporte em toda a Região Norte, ou por avião.
Lula
reconheceu a importância da ponte e afirmou que conhece
projetos de mais de uma década para a realização
da obra. “Eu ouço falar desta ponte há mais de dez
anos. Já houve encontros e mais encontros e, talvez, o
dinheiro que se gastou na reunião de técnicos franceses
com brasileiros, de passagens [aéreas], talvez esse
dinheiro desse para fazer a ponte”, disse Lula.
Afirmando
que desta vez os prazos anunciados serão cumpridos, Lula
garantiu que a ponte será inaugurada em 2010 e assegurou que
Sarkozy demonstrou a mesma disposição. “O que eu
gostei do Sarkozy é que ele disse que quer começar a
ponte este ano, porque ele acha inadmissível a França
ter vontade de fazer uma ponte e ela demorar oito anos [para sair
do papel]”.
Uma comissão intergovernamental
criada em julho de 2005, quando foi assinado o acordo bilateral para
a construção da ponte, deve se reunir ainda neste
primeiro semestre, em Brasília, para validar os trabalhos
técnicos e dar início ao processo licitatório
internacional que irá selecionar a empresa responsável
pela obra.
Também será definido como se dará
a divisão dos custos. A intenção é de que
os gastos sejam divididos igualmente entre Brasil e França,
“mas levando em conta as implicações fiscais e a
necessidade de evitar que a França termine onerada por
tributos nacionais”.
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