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Rio de Janeiro - O ex-deputado federal pelo PL (atual PR) e
ex-bispo da Igreja Universal Carlos Rodrigues negou hoje (13) que
soubesse da existência de mensalão. Ele foi interrogado
pelo juiz Erik Navarro Wolkart, da 7ª Vara Federal Criminal, no
Rio de Janeiro.
Rodrigues é um dos 40 réus do
caso, acusados de envolvimento em esquema de compra de votos em troca
de apoio político.
Para sustentar a inexistência de mensalão,
Rodrigues argumentou que se tratava de uma “questão
matemática e de astúcia política”. Segundo
ele, os partidos da base vinham unidos desde o governo anterior e não
precisavam de pagamentos para votar pelas propostas governistas do
PT: “Uma vez que a gente ganha o governo, nós iríamos
ali vender votação? Eu nunca ouvi falar nisso”.
O ex-deputado também apontou, no
interrogatório, dificuldades na vida legislativa. “Ser
parlamentar é muito ruim, meritíssimo”, disse. “Muito
ruim. Você sacrifica tudo o que tem. Entra ali de manhã
e sai à noite, não vê o dia passar. Se ocupa o
dia inteiro. Sábado à noite, você às vezes
tem que ir a um casamento, abraçar 100 pessoas que nunca viu
na sua vida. De repente, você está em casa, um eleitor
seu morreu, tem que botar o terno e ir ao enterro. Nove horas da
noite, você está com sua família, sua esposa quer
ir ao cinema, tem que atender a um pedido político. Ser
parlamentar não é simples, embora a imprensa ache que é
um paraíso. Não é”.
Sobre os recebimentos de quantias para pagamento
de gastos de campanha, o ex-bispo não especificou as despesas:
“No curso do processo, o meu advogado vai demonstrar onde foi
investida essa quantia, no pagamento da campanha eleitoral, com mais
exatidão”.
Rodrigues se negou a responder a questões
formuladas pelos representantes do Ministério Público,
alegando que havia sido orientado neste sentido por seus advogados, e
não quis usar os momentos finais da sessão para outros
argumentos em sua defesa.
Amanhã (14) será interrogado o
ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato.
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