As
políticas públicas de saúde voltadas para
portadores do HIV não têm alcance nacional e não
se articulam com iniciativas estaduais e municipais de atendimento aos
pacientes soropositivos.
A crítica foi feita hoje (14) pelo
presidente da organização não-governamental
(ONG) Grupo de Apoio à Prevenção à Aids
(Gapa) de São Paulo, José Carlos Veloso. Ele
representou a sociedade civil na apresentação do
relatório UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de
Aids 2005-2007.
O
documento aponta diferenças entre a busca por tratamento de
acordo com as regiões do país. Enquanto na Região
Sul, o índice de início tardio do tratamento é
de 40,8%, na Região Norte, pouco mais da metade dos portadores do HIV
– 50,3% – têm acesso tardio ao sistema de saúde.
Na
avaliação de Veloso, a falta de interlocução
entre políticas de saúde sexual e direitos reprodutivos
nos níveis federal e estadual e a pouca inserção
dessas medidas nos municípios é um dos pontos frágeis
do programa brasileiro de atendimento a cidadãos
soropositivos.
“As
políticas de âmbito federal têm pouca inserção
nos municípios. Quando ela vai para a ponta, no interior do
país, ela tem pouca inserção porque depende
muito do gestor local, da vontade política local. Há
pouca interlocução entre os gestores de saúde,
entre as secretarias estaduais e municipais”, avaliou.
Veloso
também destacou a falta de continuidade de algumas
iniciativas, que, segundo ele, por serem “programas políticos”
são extintos quando há mudança de gestores.
A
necessidade de capacitação para os profissionais do
sistema de saúde sobre a temática do HIV também
foi apontada por Veloso como uma das demandas da sociedade civil. “É
preciso ter um profissional de saúde sensibilizado para essa
temática específica.”
Na
avaliação do representante da ONG, “há uma
lacuna muito grande” em relação a políticas de
saúde sexual voltadas para a população jovem,
principalmente para os que já nasceram com o vírus.
Veloso também apontou a necessidade de uma visão mais
ampla da situação das mulheres portadoras do HIV no
Brasil.
“As
ações no setor de saúde para as mulheres ainda
estão muito focadas na maternidade. Não enxergam a
mulher como um todo, somente como mãe. Ações
para evitar que a mãe transmita para o bebê e não
enxergam a mãe como profissional, sua saúde na
integralidade”, comentou.