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14 de Fevereiro de 2008 - 16h49 -
Última modificação
em 14 de Fevereiro de 2008 - 18h27
Quase metade dos brasileiros HIV positivos demora a iniciar tratamento
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
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Gervásio Baptista/ABr
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Brasília - Representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids) no Brasil, Pedro Chequer, durante anúncio dos dados de acesso ao tratamento de aids e uso de recursos do governo nesse setor
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Brasília - Quase metade dos brasileiros portadores do vírus HIV inicia o
tratamento médico, à base de coquetéis
anti-retrovirais, tardiamente. É o que aponta o relatório UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de Aids 2005-2007,
divulgado hoje (14) pelo Ministério da Saúde. O
documento revela ainda que 85% dos municípios do país
já possuem registros da doença.
Os dados
mostram que, entre 2003 e 2006, 43,7% dos brasileiros infectados com
idade acima de 15 anos já chegaram aos serviços de
saúde com algum tipo de deficiência imunológica
ou com sintomas da aids. De um total de 115.441 pessoas infectadas, 14.462
(28,7%) morreram logo no início do tratamento, em decorrência
de quadros clínicos mais graves.
As
regiões Norte e Sul apresentam os maiores contrastes em
relação ao tratamento tardio da doença no país.
No Norte, mais de 53% da população infectada demora a procurar tratamento enquanto no Sul, o índice é de
40,8%. A Região Nordeste segue em segundo lugar –
mais de 48% dos casos. Na região Sudeste, o índice é
de 41% e no Centro-Oeste, 47,4%.
A diretora do Programa Nacional DST/Aids do Ministério
da Saúde, Mariângela
Simão, afirmou que ainda persiste, no Brasil, a percepção
de que a aids é uma “doença do outro”, e que se a
pessoa não for homossexual, profissional do sexo ou
usuária de droga, não corre risco.
“O
perfil da epidemia mudou radicalmente no Brasil. Hoje, é uma
epidemia predominantemente heterossexual, ou seja, pessoas que têm
sexo desprotegido com pessoas de outro sexo. Todo mundo que tem vida
sexual ativa tem que pensar na qualidade da sua relação.”
O
relatório aponta que 94,8% das pessoas infectadas no país
estão sendo tratadas – ainda que tardiamente. Mariângela
explica que os quase 5% que não buscam tratamento são,
geralmente, usuários de droga ou grupos que sentem medo da
discriminação.
“Hoje,
viver com aids não é uma sentença de morte. É
uma doença complexa e de tratamento difícil, mas que
está disponível. Quanto mais precoce for o diagnóstico,
melhores são as condições de vida das pessoas
portadoras do vírus ou que desenvolvem a doença.”
Mariângela
alerta que a epidemia de aids no Brasil assombra não apenas
adolescentes e jovens, mas também a população
acima de 50 anos e, sobretudo, acima dos 60 anos.
“É
um grupo populacional que não cresceu usando preservativo e
que, hoje, não percebe o risco. Enquanto o jovem aumentou o
uso do preservativo, isso cai radicalmente à medida que
aumenta a idade.”
O
relatório UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de
Aids 2005-2007 é resultado da Declaração
de Compromisso sobre HIV/Aids, firmada por 189 países –
incluindo o Brasil – em 2001. Além de representantes do
governo, membros da sociedade civil, de universidade e de organismos
internacionais também participaram da elaboração
do documento.
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