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14 de Fevereiro de 2008 - 10h42 -
Última modificação
em 14 de Fevereiro de 2008 - 11h15
Dom Cappio diz que transposição do São Francisco é "propaganda enganosa"
Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil
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Antonio Cruz/ABr
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Brasília - O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, fala durante reunião no Congresso sobre o projeto de transposição do Rio São Francisco
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Brasília - O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio
Cappio, disse hoje (14) que o governo “faz propaganda enganosa”
ao informar que a transposição do Rio São
Francisco servirÁ para acabar com a falta de água que
atinge as populações por onde os canais vão passar.
“O projeto de transposição tem
fins econômicos, para a produção de frutas para
exportação e criação de camarão em
cativeiro; para incremento do capital. Se esse projeto fosse para
dessendentação [saciar a sede] humana e animal
eu seria a favor, mas esse não é o objetivo”, disse o
bispo à Agencia Brasil ao chegar para audiência
pública no Senado.
Sobre a possibilidade de o projeto gerar
desenvolvimento econômico e social na ragião, dom Cappio
afirmou que isso deveria estar em segundo plano. “Primeiro é
garantir água para quem tem sede e depois o multiuso do rio.”
Para o bispo, que já fez greve de fome contra a transposição, antes de distribuir a água do São
Francisco é preciso fazer a revitalização
corretamente. “Primeiro, vamos revitalizar o rio, porque anêmico
não doa sangue. Vamos garantir a vida dele [do rio]
para depois garantir o multiuso.”
O secretário de Infra-Estrutura Hídrica do
Ministério da Integração Nacional, João
Reis Santana Filho, lembrou que o projeto já estava previsto
no programa de governo, portanto não pode ser propaganda
enganosa.
Ele destacou a existência de estudos técnicos para garantir a
viabilidade do projeto. “Os técnicos do Ibama [Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]
sabem menos que o bispo?”
Santana Filho rebateu a crítica de dom Cappio
de que a prioridade do projeto seja beneficiar o capital. “Seria um
absurdo levar água para o Semi-Árido e não dar
para o povo beber. Uma estupidez maior é achar que uma pessoa
vive só bebendo água.”
O secretário também lembrou que a decisão
sobre o uso da água caberá aos comitês gestores
de bacias nos estados por onde o rio passará. Os comitês de bacias Hidrográficas
são colegiados instituídos por lei, no âmbito do
Sistema Nacional de Recursos Hídricos e dos Sistemas
Estaduais.
Considerados
a base da gestão participativa e integrada da água, têm
papel deliberativo e são compostos por representantes do Poder
Público, da sociedade civil e de usuários de água
e podem ser oficialmente instalados em águas de domínio
da União e dos estados. Existem comitês federais e
comitês de bacias de rios estaduais, definidos por sistemas e
leis específicas.
Dom Cappio e Santana Filho participam de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa
(CDH) do Senado para discutir o Projeto de
Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste
Setentrional.
Também foram convidados para os debates o ministro
da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o deputado federal Ciro
Gomes (PSB-CE), que era ministro da Integração Nacional quando o projeto foi lançado.
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Desde a elaboração, o projeto é alvo de questionamentos de pessoas que consideram altos seus custos e afirmam que há alternativas. Por outro lado, nas cidades que devem receber água dos dois eixos, a obra é aguardada
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