Relatório divulgado hoje (14) pelo Ministério da Saúde aponta que quase metade dos brasileiros portadores do vírus HIV demora para iniciar tratamento médico. Cerca de 30% deles morrem logo no início do tratamento em decorrência de quadros clínicos graves. Esse número poderia diminuir caso a procura por testes para detecção do vírus fosse ampliada, defende o coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids), Pedro Chequer.

“Esperar os sintomas para ser testado é ruim, porque há um tratamento eficaz quando precocemente estabelecido. Você está perdendo a oportunidade de sobrevida e de qualidade de vida futura”, defendeu Chequer.

De acordo com o coordenador da Unaids, cerca de um terço da população brasileira já realizou testes para detectar a presença do vírus HIV. O índice é considerado alto e pouco encontrado em países em desenvolvimento. Entretanto, ele afirma que deve haver um estímulo maior.

“Há necessidade que a população busque ser testada gratuitamente na rede do Sistema Único de Saúde [SUS] e que os municípios mobilizem a população. Não é importante apenas o governo federal fazer campanhas.”

O relatório UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de Aids 2005-2007, divulgado hoje (14) mostra que, entre 2003 e 2006, 43,7% dos brasileiros infectados com idade acima de 15 anos já chegaram aos serviços de saúde com algum tipo de deficiência imunológica ou com sintomas da aids. De um total de 115.441 pessoas infectadas, 14.462 (28,7%) morreram logo no início do tratamento, em decorrência de quadros clínicos mais graves.

O documento é resultado da Declaração de Compromisso sobre HIV/Aids, firmada por 189 países – incluindo o Brasil – em 2001. Além de representantes do governo, membros da sociedade civil, de universidade e de organismos internacionais também participaram da elaboração do documento.