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São Paulo - A cidade de São Paulo é a mais populosa e rica do país e, embora possa
parecer paradoxal, quase um terço das faturas de Imposto Predial e Territorial
Urbano (IPTU) emitidas neste ano estão isentas de pagamento. O imposto não é
a principal fonte de arrecadação da cidade e, segundo a Secretaria de Finanças,
são 2,9 milhões de titulares contribuintes, dos quais 900 mil isentos.
De acordo com o diretor de Arrecadação e Cobrança da prefeitura, Ronilson
Bezerra Rodrigues, é a grande atividade econômica da cidade que leva a uma arrecadação maior nos impostos sobre a movimentação de recursos do que sobre
a propriedade.
Apesar de haver isenções para inúmeras categorias de imóveis, a maioria absoluta,
segundo o diretor, é de imóveis residenciais com valor venal de até R$ 61.240,11. O valor definido na
última revisão da Planta Genérica de Valores da cidade, em 2001, era de R$ 50
mil e foi atualizado anualmente pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Também estão isentos os pensionistas e aposentados da Previdência Social que recebam
até três salários mínimos mensais. Nos dois casos, a isenção é para um único
imóvel e, no último caso, a isenção não é automática, ela deve ser solicitada e
comprovada pelo contribuinte. A cidade também concede isenções a igrejas, associações de moradores,
hospitais, clubes recreativos, entre outros tipos de imóveis com finalidade
social.
A Planta Genérica de Valores aponta 3.500 zonas homogêneas para o cálculo do imposto. Há cinco padrões de
imóveis, do mais simples acima do valor de isenção até R$ 65,5 mil até o de
alto padrão, com valor acima de R$ 524 mil. Imóveis acima da isenção e até R$
122.480,22 têm direito a um desconto de R$ 24,4 mil no valor final calculado.
Quem não se recadastrou no ano passado, perdeu o desconto mas pode entregar o cadastro
e ter o imposto recalculado a qualquer momento.
O imposto é calculado com alíquota de 1% sobre o valor venal residencial,
1,5% nos comerciais e outros valores médios, ou o máximo, para imóveis de uso
misto. A essas alíquotas são aplicados ainda percentuais de desconto de 0,02%
ou acréscimo de 0,6% sobre as cinco faixas que compõem o sistema de
progressividade de alíquotas: paga mais quem tem mais.
Segundo Bezerra Rodrigues, a cidade de São Paulo tem para este ano um orçamento
de R$ 25 bilhões, dos quais R$ 11 bilhões vindos da arrecadação de impostos e
taxas e R$ 14 bilhões em aportes financeiros, que somam aplicações de recursos,
repasses e outros.
O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) é o
de maior arrecadação na capital e supera a do IPTU. Em 2007, a cidade faturou
R$ 2,7 bilhões com o IPTU e R$ 4,8 bilhões com o ISS. Há ainda, como em todas as cidades, o recolhimento do Imposto Sobre a Transmissão de Bens
Imóveis (ITBI).
Em 2006, a prefeitura adotou um programa de Nota Fiscal Eletrônica, que
estimula o cidadão a se cadastrar e pedir nota fiscal para obter desconto no
pagamento do IPTU. A cada R$ 1 mil em notas emitidas, ele obtém R$ 15 de
desconto, até o limite de 50% do total do imposto devido. Na avaliação de
Bezerra Rodrigues, o sistema seria o principal responsável pelo salto na
arrecadação – de R$ 3,1 bilhões, em 2005, para R$ 4,8 bilhões no ano passado.
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