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Brasília - A violência contra homossexuais em
Pernambuco é fruto da falta de leis que protejam o segmento
contra a discriminação e da impunidade. A opinião
é do secretário da organização
não-governamental (ONG) de defesa dos direitos dos
homossexuais Leões do Norte, Wellington Medeiros, que afirma que dificilmente as investigações chegam aos agressores e
ainda mais raramente resultam na sua punição.
“As pessoas ficam seguras que a impunidade, no
caso de um crime cometido contra homossexual, vai deixá-las
protegidas da investigação e conseqüentemente elas
podem praticar os crimes porque sabe que não haverá
interesse do aparelho do estado em chegar até o criminoso”.
As cinco mortes de travestis, registradas entre
janeiro e fevereiro deste ano, foram discutidas ontem (14) durante
uma audiência na Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. O
representante da ONG apontou a necessidade de atuação
do governo para combater a discriminação e o
preconceito no estado.
Em entrevista à Agência Brasil,
Medeiros disse não acreditar na versão da polícia
de que os crimes tenham sido causados somente pelos atos cometidos
pelos travestis, mas que envolvam preconceito.
“Essas mortes
não acontecem com outros segmentos sociais. Há pessoas
que cometem crimes diariamente em vários locais do Recife, são
denunciadas e, no entanto, não acontece a morte dessas pessoas
que praticam esse crime, que supostamente está sendo
relacionado com os travestis, que seria o assalto”.
Ele destacou que outros grupos alvo de
discriminação, como negros e mulheres, têm leis
de proteção contra o preconceito, graças à
força de movimentos sociais que cobram respostas dos
governos, enquanto os travestis continuam excluídos da
proteção e do direito de providências a respeito
das agressões.
Para ele, enquanto o governo do estado não
criar uma instância para discutir as demandas dos homossexuais
e encontrar formas concretas de combater o preconceito nas escolas e
na sociedade os crimes vão continuar.
“Os casos de
violência contra homossexuais, ou qualquer outro segmento
excluído da sociedade não são casos de polícia.
Tornam-se casos de polícia quando não há
ações concretas.”
Segundo ele, quase 70% dos travestis são
analfabetos porque não “aguentam a pressão na sala de
aula” e, por serem rejeitados pelas famílias, acabam tendo
como única alternativa a prostituição. De acordo
com levantamento realizado pela ONG Leões do Norte, em média, dois
homossexuais são mortos a cada mês em Pernambuco.
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