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17 de Fevereiro de 2008 - 13h04 -
Última modificação
em 17 de Fevereiro de 2008 - 13h04
Ponte entre Brasil e Guiana Francesa trará mais problemas sociais, diz deputado
Alex Rodrigues
Enviado especial
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Wilson Dias/ABr
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Macapá (AP) - O deputado estadual Paulo José (PR), que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Estado do Amapá, mostra relatório sobre violência na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa
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Macapá - O deputado estadual Paulo José (PR) disse temer que ao invés dos “múltiplos benefícios para o desenvolvimento econômico e social da região” – anunciados na declaração assinada na última terça-feira (12) pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, da França –, a ponte projetada para ser construída sobre o Rio Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, agrave ainda mais os problemas e os conflitos sociais no estado.
“Não adianta escamotearmos a verdade. A situação, hoje, na fronteira, é muito grave”, avaliou. E acrescentou: “A vinda dos presidentes Lula e Sarkozy foi proveitosa e vamos esperar que aconteça algo positivo, mas estou extremamente pessimista. Essa ponte servirá apenas para o tráfego de pedestres e bicicletas. A Guiana Francesa, que não produz nada, irá produzir problemas sociais que com certeza virão desembocar em Oiapoque, que não tem infra-estrutura para receber esse tipo de situação.” Atual presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Amapá, Paulo José explicou não ser contrário à obra, mas considerar mais importante tentar resolver o problema da imigração ilegal de brasileiros em busca de trabalho na Guiana Francesa. “Já vi outros presidentes adotarem a mesma conduta de esperança, gerando expectativa positiva, principalmente na questão desta obra. Enquanto isso, brasileiros permanecem submetidos a todo tipo de violência pela polícia francesa. Falta disciplinar a relação diplomática entre os dois países [Brasil e França]”, alertou.
Segundo o deputado, enquanto a Guiana Francesa restringe cada vez mais o acesso de brasileiros, as fronteiras brasileiras estão praticamente escancaradas para os guianenses. Muitos deles, inclusive, optam por viver do lado de cá, onde o poder de compra do euro é maior: “A fiscalização brasileira é muito acanhada. A Polícia e a Receita Federal têm um contingente insuficiente para patrulhar nossa fronteira, como faz com muita eficiência a polícia francesa”.
Há 17 anos transportando pessoas e mercadorias entre Oiapoque e Saint-George de L´Oyapock, o presidente da Associação dos Catraieiros, Luiz Antonio Lobato da Silva, confirmou que só há fiscalização do lado francês. “Do lado brasileiro, são portas abertas – entra e sai", disse.
Silva contou que policiais franceses e guianenses patrulham todos os dias as ruas de Saint-George: “Os brasileiros que estiverem passeando também são expulsos. Quando a pessoa não consegue explicar por que está ali, eles a levam para a delegacia antes de deportá-la”.
Embora reconheça que a Guiana Francesa não pode permitir a entrada de qualquer pessoa, sem autorização, e que há brasileiros que cometem irregularidades, Silva criticou os que chamou de excessos da polícia francesa. E desestimulou os que ainda pensam em buscam oportunidade do lado francês: “O ganho pode ser maior, mas encontrar emprego é muito mais difícil. Não aceitam a pessoa clandestina para trabalhar nos centros urbanos, só nas zonas rurais e nos garimpos. As pessoas vêm tentar uma vida melhor, mas muitos não levam sorte e são expulsos.”
Um dos casos de sorte foi o de Socorro Nascimento Rocha, que é de Macapá e que há 17 anos vive legalmente na Guiana Francesa: “É melhor. Ganhamos mais, tenho minha casa, criei meus filhos aqui”. Ela contou que é comum a expulsão de brasileiros sem os vistos de entrada, mas que nunca viu qualquer brasileiro ser espancado. Para Socorro, a ponte irá facilitar a vida de quem vive legalmente na Guiana Francesa.
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